Mostrar mensagens com a etiqueta homem-estátua. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta homem-estátua. Mostrar todas as mensagens

sábado, 20 de junho de 2026

Mal agradecidos

O homem-estátua foi despedido. Por falta de produtividade. Logo ele que tinha sido contratado para não mexer uma palha.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Produtividade.)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Quando o homem-estátua abriu a boca

As pombinhas da catrina
As pombinhas da catrina andaram de mão em mão. Acabaram por casar, é certo, mas da fama não se livram...

Porto, vésperas de mais um Natal. Ao fim de 35 anos de inabalável serviço na ex-libríssima Praça da Liberdade, o homem-estátua chamou o fiscal da Câmara num pst! muito bem disfarçado. Veio também um polícia municipal. "Ó colegas, isto aqui já não dá nada. Até o cavalo de D. Pedro IV leva mais do que eu ao fim do dia. Estou no ir, se calhar para Fafe, vou fazer de pedregulho no Largo ou talvez de árvore. Ou então vou para a Suíça trabalhar como boneco de neve ou vaca da Milka, que estamos na época. Lembrais-vos do Dr. Miguel Relvas? Sabíeis que sempre que os portugueses emigram têm uma visão universalista que lhes traz sucesso?", disse o homem-estátua ao fiscal camarário e ao polícia municipal, por entre dentes e sem perder a pose. Era efectivamente um homem-estátua aprumado, muito profissional e filósofo amiúde. "Além disso, estou farto de que me caguem em cima", acrescentou, descendo finalmente do banco de cozinha e arrumando os tarecos e o velho reumatismo em dois sacos plásticos do Pingo Doce do tempo em que os sacos plásticos eram de borla. "As pombas?", perguntou o fiscal da Câmara, que era um bocadinho lerdo de entendimento, porém presto para as multas. "O quê?", perguntou o homem-estátua, que já nem se lembrava do que tinha acabado de dizer. "Cagam-lhe em cima, as pombas?", interveio o polícia municipal, espaçando as sílabas e restabelecendo a ordem. "Os pombos. Os do Governo, os da Assembleia, os da Justiça, os da Saúde, os da TAP, os da CP, os da EDP, os dos Correios, os da Caixa, os da Igreja, os do Espírito Santo, esses pombos todos de gravata ou cabeção mas sem anilha, esses cagões", respondeu o homem-estátua, escarafunchando os bolsos profundos à procura dos apontamentos com a lista completa, nome a nome, a começar em Aníbal e a acabar em Ventura, à procura da lista imensa e do manguito do Bordalo, que também estava para ali metido, há que tempos à espera. Tinham sido realmente muitos anos de gesto suspenso e bico calado.

(Versão revista, actualizada e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

Phone... home... (como dizia o outro)

Foto Hernâni Von Doellinger

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Levado ao engano

O homem-estátua foi despedido. Por falta de produtividade. Logo ele que tinha sido contratado para não mexer uma palha.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Homem.

A deslocalização do homem-estátua

Porto, meados do mês de Novembro de 2024. Ao fim de 35 anos de inabalável serviço na ex-libríssima Praça da Liberdade, o homem-estátua chamou o fiscal da Câmara num pst! muito bem disfarçado. "Ó colega, isto aqui já não dá nada. Até o cavalo de D. Pedro IV leva mais do que eu ao fim do dia. Vou-me embora, se calhar para Fafe, fazer de pedregulho no Largo. Ou então dou o salto para o Brasil, há agora aquela vaga do Cristo Redentor, que fugiu por causa do Lula, e levo um guarda-sol e uma grade de cerveja. Lembras-te do Miguel Relvas? Sabias que sempre que os portugueses emigram têm uma visão universalista que lhes traz sucesso?", disse o homem-estátua ao fiscal camarário, por entre dentes e sem perder a pose. Era efectivamente um homem-estátua muito profissional e filósofo amiúde. "Além disso, estou farto de que me caguem em cima", acrescentou, descendo finalmente do banco de cozinha e arrumando os tarecos e o reumatismo em dois sacos plásticos do Pingo Doce do tempo em que os sacos plásticos eram de borla. "As pombas?", perguntou o fiscal da Câmara, que era um bocadinho lerdo, porém presto para as multas. "O quê?", perguntou o homem-estátua, que já nem se lembrava do que tinha acabado de dizer. "Cagam-lhe em cima, as pombas?", perguntou o fiscal da Câmara. "Os pombos. O Sócrates, o Cavaco, o Jardim Gonçalves, o Oliveira e Costa, o Salgado, o Rendeiro, o Dias Loureiro, o Duarte Lima, o Vara, o Durão Barroso, o Horta e Costa, o Carlos Costa, o António Costa, o Constâncio, o Centeno, o Cabrita, o Medina, o Vieira, o Berardo, e estes são apenas os que eu distingo pela anilha e pelo cu, que de fronha são todos muito parecidos...", respondeu o homem-estátua, escarafunchando os bolsos à procura dos apontamentos e do manguito do Bordalo. Tinham sido realmente muitos anos de gesto suspenso e bico calado.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Homem.

domingo, 20 de junho de 2021

O homem-estátua

Porto, meados de Junho de 2021. Ao fim de 35 anos de inabalável serviço na ex-libríssima Praça da Liberdade, o homem-estátua chamou o fiscal da Câmara num pst! muito bem disfarçado. "Ó colega, isto aqui já não dá nada. Até o cavalo de D. Pedro IV leva mais do que eu ao fim do dia. Vou-me embora, provavelmente para o Brasil, há agora aquela vaga do Cristo Redentor, que fugiu, e levo um guarda-sol. Lembras-te do Relvas? Sabias que sempre que os portugueses emigram têm uma visão universalista que lhes traz sucesso?", disse o homem-estátua ao fiscal camarário, por entre dentes e sem perder a pose. Era efectivamente um homem-estátua muito profissional e filósofo. "Além disso, estou farto de que me caguem em cima", acrescentou, descendo finalmente do banco de cozinha e arrumando os tarecos e o reumatismo em dois sacos plásticos do Pingo Doce do tempo em que os sacos plásticos eram de borla. "As pombas?", perguntou o fiscal da Câmara, que era um bocadinho lerdo, multas à parte. "Os pombos. O Sócrates, o Cavaco, o Passos, o Portas, o Oliveira e Costa, o Salgado, o Rendeiro, o Dias Loureiro, o Duarte Lima, o Vara, o Durão Barroso, o Horta e Costa, o Jardim Gonçalves, o Rio, o Azeredo Lopes, o António Costa, o Centeno, o Cabrita, o Medina, e estes são apenas os que eu distingo pela anilha, que de resto são todos muito parecidos...", respondeu o homem-estátua, escarafunchando os bolsos à procura dos apontamentos e do manguito do Bordalo. Tinham sido realmente muitos anos de gesto suspenso e bico calado.

P.S. - Hoje, 20 de Junho, é Dia Mundial da Produtividade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O homem-estátua

Porto. Ao fim de 35 anos de inabalável serviço na ex-libríssima Avenida dos Aliados, o homem-estátua chamou o fiscal da Câmara num pst! muito bem disfarçado. "Ó colega, isto aqui já não dá nada. Vou-me embora, provavelmente para Moçambique e levo um guarda-sol. Lembras-te do Relvas? Sabias que sempre que os portugueses emigram têm uma visão universalista que lhes traz sucesso?", disse o homem-estátua ao fiscal camarário, por entre dentes e sem perder a pose. Era efectivamente um homem-estátua muito profissional e filósofo. "Além disso, estou farto de que me caguem em cima", acrescentou, descendo finalmente do banco de cozinha e arrumando os tarecos em dois sacos plásticos do Pingo Doce do tempo em que os sacos plásticos eram de borla. "As pombas?", perguntou o fiscal da Câmara, que era um bocado lento. "Os pombos, Pedro e o Paulo", respondeu o homem-estátua.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O homem-estátua

Ao fim de 35 anos de inabalável serviço na Avenida dos Aliados, o homem-estátua chamou o fiscal da Câmara. "Isto aqui já não dá nada. Vou-me embora, provavelmente para Moçambique e levo um guarda-sol. Sabias que sempre que os portugueses emigram têm uma visão universalista que lhes traz sucesso?", disse ele ao fiscal, por entre dentes e sem perder a pose. Ele era um homem-estátua muito profissional e filósofo. "Além disso, estou farto que me caguem em cima", acrescentou. "As pombas?", perguntou o fiscal da Câmara. "O Relvas", respondeu o homem-estátua.