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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Mania das grandezas

Ele tinha a mania das grandezas. Sonhava com o Panteão. "Quando eu morrer - dizia -, vou chatear o Camões".

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Consciencialização do Ego.

sábado, 12 de março de 2022

Mania das grandeza

Tinha a mania das grandezas. Sonhava com o Panteão. "Quando eu morrer - dizia -, vou chatear o Camões"... 

P.S. - Os Lusíadas foram publicados no dia 12 de Março de 1572.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Uma questão de gosto

O inglês Guilherme Shakespeare escreveu tubi ornotubi detesdaquestcham. Ornotubi. O nosso Luís Vaz escreveu, e certamente antes do bife, al maminha gentil quetepartiste. Maminha. Para mim, Shakespeare 0 - Camões 1.
Alinhavei o penetrante pensamento supra no dia 1 de Novembro de 2014. Já vamos em 2021 e continuo a gostar muito mais de maminha, e evidentemente não estou a falar de carne para churrasco. Na altura, um leitor anónimo mas de óbvia costela anglófila comentou-me que "Shakespeare é maior que Camões". Eu respondi: "Mas Hrtdfsgnkgetrfdcçygetñtecho é maior do que Shakespeare". E mantenho.

Luís de Camões 7

Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que só para mim
Anda o mundo concertado.


Luís de Camões 

domingo, 7 de março de 2021

Mania das grandezas

Tinha a mania das grandezas. Sonhava com o Panteão. "Quando eu morrer - dizia -, vou chatear o Camões"... 

P.S. - Preso após ter ferido numa rixa um tal Gonçalo Borges, em 16 de Junho de 1552, Luís de Camões recebeu carta de perdão no dia 7 de Março de 1553.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

To be, or not to be

Do palco para os estádios
Shakespeare. Nasceu em Stratford-upon-Avon, era o ano de 1564. Depois de ter cumprido uma razoável carreira como poeta, dramaturgo e actor, morreu em 1616 para dedicar-se por inteiro ao sonho de toda a vida: o futebol profissional. Jogou no Walsall, no Sheffield Wednesday, no West Bromwich Albion, no Grimsby Town, no Scunthorpe United, no Telford United e no Hednesford Town. Virou treinador. No ano de 2017 orientou durante quatro meses o Leicester City, deixando-o na zona de descida à segunda divisão inglesa, e actualmente está sem clube.

Uma questão de gosto
O inglês Guilherme Shakespeare escreveu tubi ornotubi detesdaquestcham. Ornotubi. O nosso Luís Vaz escreveu, e certamente antes do bife, al maminha gentil quetepartiste. Maminha. Para mim, Shakespeare 0 - Camões 1.
Alinhavei o penetrante pensamento supra no dia 1 de Novembro de 2014. Continuo a gostar muito mais de maminha, e evidentemente não estou a falar de carne para churrasco. Na altura, um leitor anónimo mas de óbvia costela anglófila comentou que "Shakespeare é maior que Camões". Eu respondi: "Mas Hrtdfsgnkgetrfdcçygetñtecho é maior do que Shakespeare". E mantenho.

P.S. - O londrino Globe Theatre, onde William Shakespeare apresentou as suas peças, foi destruído por um incêndio no dia 29 de Junho de 1613.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Camões versus Shakespeare

O inglês Guilherme Shakespeare escreveu tubi ornotubi detesdaquestcham. Ornotubi. O nosso Luís Vaz escreveu, e certamente antes do bife, al maminha gentil quetepartiste. Maminha. Para mim, Shakespeare 0 - Camões 1.
 
Alinhavei aquele penetrante pensamento no dia 1 de Novembro de 2014. Continuo a gostar muito mais de maminha, e evidentemente não estou a falar de carne para churrasco. Na altura, um leitor anónimo mas de óbvia costela anglófila comentou que "Shakespeare é maior que Camões". Eu respondi: "
Mas Hrtdfsgnkgetrfdcçygetñtecho é maior do que Shakespeare". E mantenho.

Luís de Camões 6

[Onde acharei lugar tão apartado]

Onde acharei lugar tão apartado
E tão isento em tudo da ventura
Que, não digo eu de humana criatura,
Mas nem de feras seja frequentado?

Algum bosque medonho e carregado,
Ou selva solitária, triste e escura,
Sem fonte clara ou plácida verdura,
Enfim, lugar conforme a meu cuidado?

Porque ali, nas entranhas dos penedos,
Em vida morto, sepultado em vida,
Me queixe copiosa e livremente;

Que, pois, a minha pena é sem medida,
Ali triste serei em dias ledos
E dias tristes me farão contente.

Luís de Camões

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O papão

A culpa foi do Camões. No canto V de "Os Lusíadas", o nosso Épico fala do aterrador gigante do cabo das Tormentas (ou Cabo da Boa Esperança, como lhe chamou D. João II, após a passagem de Bartolomeu Dias) que afundava naus sem dó nem piedade e se desfazia em lágrimas depois da maldade feita. Primeira dica: as "lágrimas" eram as águas salgadas e revoltas da assanhada confluência do oceano Atlântico com o oceano Índico, a sul da Cidade do Cabo, na África do Sul.
É sabido, Luís de Camões foi buscar o nosso Adamastor à mitologia greco-romana. O Poeta queria representar as grandes forças da natureza, o poder dos elementos, as violentas tempestades que, naquela zona do mundo, tentavam impedir o avanço heróico dos Portugueses rumo à Índia. E pintou-as como um mostrengo vigilante e vingativo, espécie de porteiro de discoteca que não deixava passar ninguém: De disforme e grandíssima estatura, / O rosto carregado, a barba esquálida, / Os olhos encovados, e a postura / Medonha e má, e a cor terrena e pálida, / Cheios de terra e crespos os cabelos, / A boca negra, os dentes amarelos.
Mas era apenas um cabo, senhores, nem sequer sargento. Um cabo e geográfico. Por sinal, bem difícil de dobrar e com muitos naufrágios para contar. 

Bartolomeu Dias, o navegador português que abriu o caminho marítimo para a Índia ao contornar o Cabo da Boa Esperança, morreu no dia 29 de Maio de 1500.
O textinho acima saquei-o de um trabalho que escrevi para a revista de fim-de-semana do jornal 24horas, em Março de 2007, introduzindo-lhe as necessárias adaptações temporais e porventura, involuntariamente, alguns erros de transcrição. Era um ranking, "Os 10 maiores mitos da História de Portugal", e, para o fazer, pedi a ajuda de especialistas reputados: Manuela Mendonça, historiadora e presidente da Academia Portuguesa de História, os historiadores e professores catedráticos António Manuel Hespanha, Fernando de Sousa e Francisco Ribeiro da Silva, o escritor e historiador portuense Hélder Pacheco e o arqueólogo, historiador e actual figura da TV Joel Cleto.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Luís de Camões 5

Verdes são os campos

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Mor é fogo que arde

Foto Hernâni Von Doellinger

- Ó mor, mor! Tu mamas, mor?
- Ó mor, claro que tamo, mor.
- Diz-me a verdade, mor. Tu mamas, mor?
- Tamo, mor. Tamo tipo bué, tás a ver, mor?
- Não, mor, tipo a sério, mor, tu mamas-me tipo... a sério, mor?
- Tamo-te, mor. Tamo tipo, mor.
- Mamas mesmo, mor?
- Tipo agora, mor? Aqui, mor? Na rua, mor?...

P.S. - O Português (isto é, o Brasileiro) é a quinta língua mais falada na Internet, dizem as estatísticas. Parabéns à prima.

domingo, 10 de junho de 2018

Luís de Camões 4

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.


É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Luís de Camões

sábado, 10 de junho de 2017

Luís de Camões 3

Perdigão perdeu a pena

Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.

Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.

Luís de Camões

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Luís de Camões 2

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.


Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.


Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.


Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.


Luís de Camões

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Shakespeare vs. Camões

O inglês Guilherme Shakespeare escreveu tubi ornotubi detesdaquestcham. Ornotubi. O nosso Luís Vaz escreveu, e certamente antes do bife, al maminha gentil quetepartiste. Maminha. Para mim, Shakespeare 0 - Camões 1.

(Texto escrito e publicado originalmente no dia 1 de Novembro de 2014. Continuo a gostar muito mais de maminha, e evidentemente não estou a falar de carne para churrasco. Na altura, um leitor anónimo mas de óbvia costela anglófila comentou que "Shakespeare é maior que Camões". Eu respondi: "Mas Hrtdfsgnkgetrfdcçygetñtecho é maior do que Shakespeare". Mantenho.)  

terça-feira, 10 de junho de 2014

Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E, em mim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.


"Sonetos", Luís de Camões