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sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Lourenço da Arrábida

O problema do Lourenço da Arrábida era o equívoco. Ou o gozo. O inocente equívoco ou o gozo premeditado, ele ainda não chegara à conclusão. O Lourenço tinha um tasco na Cantareira, paredes-meias com a ponte, e vai daí ficou-lhe o nome, que se propagou compreensivelmente ao estabelecimento - "Lourenço da Arrábida vinhos & petiscos", lá estava na tabuleta, como manda a sapatilha. Servia às quintas-feiras uma dobrada de razoável gabarito e preço em conta, segundo se constava. O certo é que as pessoas estavam sempre a perguntar-lhe pelo Omar Sharif, pelo Anthony Quinn, pelo Alec Guinness, ou se realmente ele viu Judas a cagar no deserto, como se dizia em Fafe no tempo do Cinema. Chamavam-no à televisão para comentar a situação no Médio Oriente, a mortandade em Gaza, as ameaças do Irão, o à-rasquismo mundial, mas admiravam-se por ele aparecer em pessoa e consequentemente ainda estar vivo, uma vez que para os devidos efeitos morrera num acidente de mota. Perguntavam-lhe também, se, por falar nisso, a Guinness deve ser bebida fresca ou à temperatura ambiente como alguns e determinados têm a mania. Enfim, já se sabe como são as pessoas.
O bom do Lourenço primeiro ia aos arames, afinava, escamava-se. Cego pelos nervos, num repente rapava da adaga e desatava a gritar "mouros!" e a matar a torto e a direito felizmente só da boca para fora. Quantas tragédias foram assim prometidas e adiadas, para enorme desconsolo da CMTV e assinalável prejuízo da indústria funerária da região. Mas com o tempo o nosso herói assentou, ganhou calo no cu, como se diz psicologicamente falando. Agora se o azucrinam com as tretas do costume, ele encolhe os ombros largos de desdém, pigarreia uma e outra vez, sacode duas valentes chibatadas no camelo de estimação e desaparece dali a galope, ondulando o manto branco por entre hordas descontroladas de turistas japoneses e outros infiéis que descem e sobem aos encontrões as ruas completamente escangalhadas da Baixa portuense.

P.S. - Thomas Edward Lawrence, aliás, T. E. Lawrence, também conhecido como Lawrence da Arábia e, aparentemente entre os seus aliados árabes, Aurens ou El Aurens, foi um arqueólogo, militar, agente secreto, diplomata e escritor britânico. Nasceu no dia 16 de Agosto de 1888.

sábado, 13 de abril de 2024

Com bandeira portuguesa

O Irão atacou um navio com bandeira portuguesa no estreito de Ormuz. E eu estou preocupado. A bandeira, é a deste Governo ou a do anterior Executivo?

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Os judeus e os árabes e vice-versa

Eu, confesso, não sei distinguir o sofrimento das vítimas inocentes israelitas do sofrimento das vítimas inocentes palestinianas. Não sei dizer qual é o sofrimento mais justo, o sofrimento maior, o sofrimento mais razoável, o sofrimento mais aceitável, compreensível e lógico. Não sei dizer qual é o sofrimento mais iníquo, condenável e horrível. Não sei. Mas isso sou eu, que, já percebi, sou burro, não tenho lado. O sofrimento humano, vejo-o todo igual. Desnecessário, estúpido e brutal. Filhodaputa! As vítimas, inocentes ou não, judeus ou árabes, árabes ou judeus, vejo-as todas iguais. Pessoas, histórias, vidas. Os mortos, vejo-os todos iguais. Mortos.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Estribilhos palermas que ganharam a Eurovisão 11

Viva nari'a, viva Viktoria, Afrodita
Viva laDiva, viva Viktoria, Kleopatra
Viva nari'a, viva Viktoria, Afrodita
Viva laDiva, viva Viktoria, Kleopatra
Diva, Diva, Diva, Diva

(Diva, canção de Israel, 1998)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Estribilhos palermas que ganharam a Eurovisão

A-ba-ni-bi o-bo-he-bev
A-ba-ni-bi o-bo-he-bev o-bo-ta-bach
A-ba-ni-bi o-bo-he-bev
A-ba-ni-bi o-bo-he-bev o-bo-ta-bach


A-ba-ni-bi o-bo-he-bev
O-bo-e-bev o-bo-ta-bach
 

(A-ba-ni-bi, canção de Israel, 1978)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Lições de História 4: Salomão

Salomão era muito rico e muito sábio. Ordenou a construção do Templo de Jerusalém e mandou cortar um bebé ao meio. Depois fugiu para o Brasil e entrou na telenovela "O Astro".

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Deixemos os entretantos e vamos aos finalmentes

Gosto da pinta deste papa. Dá-me esperança. E gosto mais de ciclismo do que da política de Israel para o Médio Oriente. Ainda assim, considero razoavelmente importante a audiência vaticana ao presidente Shimon Peres e acho um manifesto desperdício a bênção papal à camisola rosa da Volta à Itália. Quer-se dizer: o nosso Francisco já lá está há mês e meio - e os tapetes à espera de quem os levante. The show must go on, acredito, mas tretas não bastam para remediar a Igreja.