Aleluia
Velho pampa lendário de outras eras,
onde se erguem lúgubres taperas,
tripudiando quais flâmulas de luto:
nessas tardes de junho, ao sol poente,
parece-me que sinto o que tu sentes
quando o silêncio do teu campo escuto...
A brisa nas carquejas do varzedo,
chorando, confessa que tens medo
de enfrentar esta miséria atroz...
E na tristeza sem fim dos corredores
vibram hinos de brados e clamores
contra as algemas da canalha algoz...
Mas não percebes, decrépito campeiro,
que as rondas do abutre carniceiro
grasnam sobre ti funéreo agouro;
que és o braço do "Gigante" que mendiga
e "deitado em berço esplêndido" se obriga
a pedir pão sob um dossel de ouro?...
[...]Velho pampa lendário de outras eras,
onde se erguem lúgubres taperas,
tripudiando quais flâmulas de luto:
nessas tardes de junho, ao sol poente,
parece-me que sinto o que tu sentes
quando o silêncio do teu campo escuto...
A brisa nas carquejas do varzedo,
chorando, confessa que tens medo
de enfrentar esta miséria atroz...
E na tristeza sem fim dos corredores
vibram hinos de brados e clamores
contra as algemas da canalha algoz...
Mas não percebes, decrépito campeiro,
que as rondas do abutre carniceiro
grasnam sobre ti funéreo agouro;
que és o braço do "Gigante" que mendiga
e "deitado em berço esplêndido" se obriga
a pedir pão sob um dossel de ouro?...
"Senzala Branca", Lauro Rodrigues
(Lauro Rodrigues nasceu em 1918. Morreu no dia 17 de Dezembro de 1978.)
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