sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Garcia Rosa

Amália 

Se tenho amado? Ouvi: era ideal, morena,
De olhos fenomenais chispando como estrelas...
Veio a tísica e enfim ma disputou sem pena,
Nem me deixando ao luto as negras tranças belas.

Amália se chamava a lânguida açucena
Que partiu para o além como partem as velas
Desdobradas do mar na vastidão serena,
Tão tristonhas e só que até faz pena vê-las.

Quando Amália morreu a cântaros chovia;
E as lágrimas do céu e mais as que eu vertia
Eram poucas talvez para tão grande amor...


Não sei se inda a verei; não sei se o céu existe...
Para a turva consciência emocional do triste
Toda a noção do real se lhe restringe à dor.


Garcia Rosa 

(Garcia Rosa nasceu no dia 8 de Dezembro de 1877. Morreu em 1960.)

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