Novidades que vieram de Lisboa em 1658
França está mui doente das ilhargas,
Inglaterra tem dores de cabeça;
Purga-se Holanda, e temo lhe aconteça
Ficar debilitada com descargas.
Alemanha lhe aplica ervas amargas,
Botões de fogo com que convalesça;
Espanha não lhe dá que este mal cresça;
Portugal tem saúde e forças largas.
Morre Constantinopla, está ungida;
Veneza engorda e toma forças dobres;
Roma está bem, e toda a Igreja boa.
Europa anda de humores mal regida;
Na América arribaram muitos pobres:
Estas as novas são que há de Lisboa.
"Obras Completas", Gregório de Matos
(Gregório de Matos nasceu no dia 7 de Abril de 1636. Morreu em 1696.)
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Gregório de Matos 3
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quarta-feira, 6 de abril de 2016
Diz que é "proíbido" deitar lixo no ecoponto
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Ora vamos lá contar: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito. Oito recipientes para recolha mais ou menos selectiva de diversos tipos de lixo, a que se soma, no lado esquerdo e fora do ângulo da fotografia, um contentor para deposição de roupa e calçado usado. Isto é: um ecoponto completo muito bem montado à face da principal rua da cidade de Matosinhos. É só fazer as contas, como dizia o da ONU, oito mais um, nove. Nove recipientes para recolha de lixo e uma tabuleta da Câmara Municipal inesperadamente avisando que "é proíbida a deposição de lixos ou entulhos" naquele local e ameaçando com multa que pode ir, imagine-se, até aos duzentos contos de réis. Portanto, noves fora, nada...
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Quero eu dizer: afinal em que é que ficamos? Se é proibido deitar lixo naquele local, o que é que está a fazer ali no meio o ecoponto? Porque o local é o ecoponto. Mas se, por outro lado, aquele é mesmo o local onde se deve deitar o lixo, exactamente porque é um ecoponto, então o que é que está a fazer ali no meio a tabuleta? Ainda por cima, atira-lhe com o "proíbida"! Eu já disse que devia ser proibido escrever proíbido...
Until the fat lady sings
Já não há na ópera senhoras gordas como havia antigamente. Agora as senhoras da ópera são magras, geralmente bonitas e algumas até boas como o milho. A mim, que sou melómano e purista, faz-me diferença, desconcentra-me.
Avilés de Taramancos
O poeta é un cazador alucinado:
Atrapa a verba, atrapa a bolboreta
que se queima en faíscas decontado;
atrapa mesmo un soño de poeta.
É o cazador poeta nese instante
en que son ollo e ráfega un latexo
que calla o sangue en rio fulgurante
como se for un lóstrego ao asexo.
E sae o cazador e a sua sombra
- sae o poeta e a sua encarnadura -
(que é como quen do seixo a luz escombra
por ver da selva toda a fermosura).
"Última Fuxida a Harar", Avilés de Taramancos
(Avilés de Taramancos nasceu no dia 6 de Abril de 1935. Morreu em 1992.)
Atrapa a verba, atrapa a bolboreta
que se queima en faíscas decontado;
atrapa mesmo un soño de poeta.
É o cazador poeta nese instante
en que son ollo e ráfega un latexo
que calla o sangue en rio fulgurante
como se for un lóstrego ao asexo.
E sae o cazador e a sua sombra
- sae o poeta e a sua encarnadura -
(que é como quen do seixo a luz escombra
por ver da selva toda a fermosura).
"Última Fuxida a Harar", Avilés de Taramancos
(Avilés de Taramancos nasceu no dia 6 de Abril de 1935. Morreu em 1992.)
Celestino Alves
Seca
Meu Deus, grande martírio ameaça o Norte,
donde a razão do que sofremos nós?
Será que a seca, este inimigo forte,
é um castigo pavoroso e atroz?
Sei bem que o homem é um pecador completo,
Sei bem que o homem é um pecador completo,
mas, sei de Ti, que o todo Teu é santo,
Sofremos nós do Teu juízo reto,
porém os brutos, por que sofrem tanto?
No pátio o gado ou por qualquer recanto
No pátio o gado ou por qualquer recanto
sofre em lamento, no seu triste urrar,
e o fazendeiro, na sua dor de espanto,
vive a canseira do seu labutar.
Seguindo o sertanejo a mendigar,
Seguindo o sertanejo a mendigar,
procura auxílio de um alguém que passa,
e, longe a roça que deixou, na praça,
vaga o destino de mais se humilhar.
Bem pode a seca calcinar o Norte,
Bem pode a seca calcinar o Norte,
desabitar o meu sertão amado,
fundir a terra, destruir o gado,
há porém sempre no sertanejo um forte.
"O Nordeste e as Secas", Celestino Alves
(Celestino Alves nasceu no dia 6 de Abril de 1929. Morreu em 1991.)
"O Nordeste e as Secas", Celestino Alves
(Celestino Alves nasceu no dia 6 de Abril de 1929. Morreu em 1991.)
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