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terça-feira, 18 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Portugal, o outro

Há portugueses que francamente. Há pessoas que parece que ainda não perceberam as ordens do senhor primeiro-ministro. Há empresários que parece que ainda não se capacitaram de que a crise só se ultrapassa à custa do povo, como manda a troika e o Governo muito mais. Porque, se o povo não pagar a crise, quem é que paga? O Estado? Não. O Estado é caloteiro. Os ricos? Não. Os ricos são ricos porque não pagam. É preciso, portanto, subir os impostos ao povo, é necessário e urgente aumentar os preços ao povo. Tudo isto é claro e justo, mas há por aí uns quantos que, sorrateiramente, insistem em minar o trabalho do nosso Passos Coelho. Isso deixa-me indignado. Estou indignado e já disse à minha mulher que estou indignado, porque nisto de indignações eu cá também não me fico!
Olhem o escândalo. Ontem, no campo do Castanheira, em Paredes de Coura, a equipa da casa recebia o Caminha. Quem me conhece, sabe muito bem que um Castanheira-Caminha me divide o coração. Custa-me muito. Custa-me tanto que nem pus os pés no jogo (ainda nem sei o resultado) e fui para o café em frente, que estava a rebentar pelas costuras, provavelmente cheio de fervorosos divididos como eu, cada um já na sua nona ou décima sexta mini.
Eu, foram duas Super Bock e um panaché, simpaticamente trazidos à mesa. E escusam de perguntar o que é que estava ali a fazer o panaché, porque eu não digo. Pedi a conta. E o senhor: "Um euro e noventa". E eu, que sou uma pessoa séria: "Não, amigo. É tudo! Quanto é as três coisas, as duas cervejas e o panaché?", corrigi-o, com toda a paciência do mundo e este meu jeito natural para corrigir tudo o que está à minha volta, mexa ou não mexa. "Exactamente. Um euro e noventa", insistiu o homem. Bem... Para não andarem cadeiras pelo ar, como na cantiga dos outros, paguei o euro e noventa cêntimos e saí dali sem sequer olhar para trás, jurando a pés juntos (e ia caindo) nunca mais lá voltar.
Estes tipos estão a roubar o País! O café, palavra de honra, chama-se Café Portugal. Com gente assim, com preços destes para o povo, como é que Portugal pode ir para a frente?

Indignados

- Estou indignado!
- Estás?
- Estou?
- E então?
- Estou indignado...