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sábado, 15 de abril de 2017

Eulálio Motta

Crepúsculo

Vinha descendo a noite, vagarosa,
Das montanhas azuis do firmamento...
Fazendo com o silêncio, mais penosa
A lágrima de dor do meu lamento...

Lá na mata obscura e pesarosa,
A araponga da angústia e do tormento
Soltava, em voz amena e dolorosa,
Cantigas de saudades ao relento...

Na folhagem da densa capoeira,
O vendaval, tremendo, parecia
Passar rezando triste Ave-Maria

Mas, quase sempre a dor é passageira:
Enquanto o sol, tristonho, ia sumindo,
A lua vinha pálida surgindo. 

"Sonetos de Eulálio Motta", Eulálio Motta 

(Eulálio Motta nasceu no dia 15 de Abril de 1907. Morreu em 1988.)

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Júlio Perneta

Crepúsculo

No túmulo do ocaso iluminado,
Como nau afundando em tírio porto,
O dia tomba, triste, abandonado,
Nostálgico de luz e de conforto.


Hora em que o coração, genuflexado
Ante a visão feral do desconforto,
Vê desfilar das sombras o Passado,
Aos merencórios raios do sol morto.


Hora de dor, profunda de saudade,
Feita de lágrima e de prece ungida,
Soturna de velhice e mocidade!…


Como eu te sinto em mim, como eu te quero!
És a imagem fiel da minha vida
Que, apesar da desgraça, inda venero.


Júlio Perneta

(Júlio Perneta nasceu no dia 27 de Dezembro de 1869. Morreu em 1921.)