Soneto do vinha da Madeira
O olhar castanho e morno das panteras
tens às vezes na cor. Mas entontece
é teu perfume: a ronda de quimeras
voltando a meu caminho escurece.
Ao meu caminho que escurece… Esferas
de ébrio torpor no céu que agora desce
sobre a fluidez enorme do que eras
no chamalote do ar, que empalidece.
Das chípreas uvas roxas de onde o mosto
espúmeo flui, e a perfeição alcança,
de sumarento e sazonado gosto.
Derramas-te em meus lábios como um cântico
de saudade da vida (e de esperança),
vinho de lava ardente e vento atlântico.
"Sete Sonetos do Vinho", Godofredo Filho
(Godofredo Filho nasceu no dia 26 de Abril de 1904. Morreu em 1992.)
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sexta-feira, 26 de abril de 2019
Godofredo Filho 3
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quinta-feira, 26 de abril de 2018
Godofredo Filho 2
Soneto do vinho Moscatel
Incende-se-me o cálice ao Favaios.
Ó gosto exato. Ó mais adamantino
conceito de sabor, no superfino
amor de amar seu corpo em outros Maios.
No entanto, só dezembro com Favaios:
O aroma, a cor, a luz do sol a pino.
É vinho de ferver o nosso tino
ou de exsurgir alguém de seus desmaios.
Mas o fulgor serena: a mansidão
dulcíflua carícia filiformes
papilas rubras e as calciformes.
Contigo, o céu mais perto; a lassidão
azul do sono; e um beijo, que não mente,
sobre os lábios da tarde, ardentemente.
"Sete Sonetos do Vinho", Godofredo Filho
(Godofredo Filho nasceu no dia 26 de Abril de 1904. Morreu em 1992.)
Incende-se-me o cálice ao Favaios.
Ó gosto exato. Ó mais adamantino
conceito de sabor, no superfino
amor de amar seu corpo em outros Maios.
No entanto, só dezembro com Favaios:
O aroma, a cor, a luz do sol a pino.
É vinho de ferver o nosso tino
ou de exsurgir alguém de seus desmaios.
Mas o fulgor serena: a mansidão
dulcíflua carícia filiformes
papilas rubras e as calciformes.
Contigo, o céu mais perto; a lassidão
azul do sono; e um beijo, que não mente,
sobre os lábios da tarde, ardentemente.
"Sete Sonetos do Vinho", Godofredo Filho
(Godofredo Filho nasceu no dia 26 de Abril de 1904. Morreu em 1992.)
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quarta-feira, 26 de abril de 2017
Godofredo Filho
Soneto do vinho do Porto
Fruto em verde ou de ígneo e azul, tocado
da música da alva. Ó tessitura
de esférico sabor, lúdico aroma
de pomo etéreo. Os beijos que não são.
Fruto em verde ou de ígneo e azul, tocado
da música da alva. Ó tessitura
de esférico sabor, lúdico aroma
de pomo etéreo. Os beijos que não são.
Desliza em rota insone. E eu te procuro,
ó domador do tédio. E, travo e mel,
de seu conúbio vegetal ressumbram
no liquefeito olhar das feras bravas.
Que do xisto azumbrado a fulva luz
tornada em sumo e veludoso gosto
por sobre a calcedônia do desejo.
Vinho que sabe a amor sem fim, ocíduo
clarão que incide às tardes sobre o Douro,
ou de Andrômeda o riso e o de Canopo.
"Sete Sonetos do Vinho", Godofredo Filho
(Godofredo Filho nasceu no dia 26 de Abril de 1904. Morreu em 1992.)
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