Mostrar mensagens com a etiqueta Que Puta de Vida!. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Que Puta de Vida!. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Que puta de vida!

Foto Hernâni Von Doellinger

O Lopes ofereceu-me pelo aniversário os "Mistérios de Fafe", de Camilo Castelo Branco. Uma "edição popular" de 1969 da Parceria A. M. Pereira Ld.ª, "8.ª edição, conforme a 2.ª, última revista pelo autor", Camilo, que avisa desde logo: "Esta novela contém adultérios, homicídios, missionários e outros cirros sociais", portanto Fafe no seu melhor. Prendinha bem catita, que nisto de livros o Lopes nunca dá ponto sem nó, e foi apenas a cereja em cima do bolo, um mimo, porque a prenda principal foi outra - outro livro, evidentemente. Os meus melhores livros, aliás, são-me regularmente dados pelo Lopes e pelo meu irmão Orlando, honra lhes seja.
Mas o Lopes. O Lopes é um bom caralho! Aqui atrasado ofereceu-me "O Seminarista", de Rubem Fonseca. "O Seminarista", para mim, estais a ver a malandrice? Porque o Lopes parece que está sempre no gozo. O Lopes chama-se Luís Lopes, é jornalista, escritor, argumentista e fafense amador, tantas as vezes que me acompanhou nos meus periódicos e mais ou menos nocturnos regressos à terra. O seu primeiro livro, publicado pela Vega em 1997, tem por título "Que Puta de Vida!", e quem ainda não leu, não sabe o que anda a perder. É coisa que se lê num lampo ou, melhor dizendo, no tempo de uma gargalhada. Ou de um espirro. Alguns raros exemplares poderão ainda ser encontrados, creio, nas melhores casas da especialidade.

Já agora, o seguinte. À medida que nos formos conhecendo melhor, ides perceber que eu levo os telemóveis muito a sério (à séria, se lido em Lisboa). Se o meu telemóvel toca, e é raro, eu atendo. Sempre. Ainda ontem: eu estava aqui nas traseiras, a escrevinhar qualquer coisa, por acaso sem o telemóvel à mão, e ouvi-o tocar na cozinha, virada para a rua. Fui lá a correr: não era o telemóvel, era a máquina de lavar roupa, que as máquinas de lavar roupa agora também tocam. O que é que eu fiz? Atendi a máquina de lavar roupa, evidentemente. E era o Lopes...

(Publicado originalmente no meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia do Autor Português)

quinta-feira, 26 de março de 2020

Dia do Livro Português

O Mola-Partida levantou-se a contragosto e acompanhei-o ao Mercedes, seguindo os seus movimentos de sobe-e-desce amenizados pelo enorme sapatorro direito. Fez-me lembrar a Orora, a prostituta manquinha que há muitos anos aviava os clientes, em pé, ali numa viela que circundava o campo de futebol do Salgueiros, em Paranhos. À falta de sapato tipo Nemésio, apoiava o pé esquerdo num tijolo durante a função. Em chegando o clímax, os especialistas davam um pontapé no tijolo e era vê-la a espernear, para grande prazer e gozo do mais exigente putanheiro. 

"Que Puta de Vida!", Luís Lopes

(Hoje, 26 de Março, comemora-se o Dia do Livro Português. No Brasil é Dia do Cacau.)