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domingo, 11 de maio de 2025

O horário de Deus

Vínhamos de votar para as eleições do próximo domingo e resolvemos passar pela capelinha da Obra do Padre Grilo, como costumamos fazer muito amiúde. Fica-nos mais ou menos em caminho. Sentamo-nos lá um bocadinho a pensar na vida, a Mi e eu, aproveitando a fresca e o silêncio. Gostamos disso. Mas hoje batemos com o nariz na porta, a capelinha estava fechada, talvez melhor dizendo, ainda fechada. Eram para aí oito e meia. É o que eu já suspeitava: Deus dorme, e anda a acordar cada vez mais tarde.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Então Ele não ressuscitou?

Gosto de entrar em igrejas e capelas. Igrejas e capelas vazias, silenciosas, fora dos horários de expediente. E abertas, o que é cada vez mais raro. Entro. Como ainda há bocado, na funcional capelinha da Obra do Padre Grilo, que frequento amiúde aqui em Matosinhos, ao pé da porta. Entrei, sentei-me, olhei em frente, e o que vi eu, para meu espanto, meu máximo espanto? O Jesus Cristo da Sexta-Feira Santa, seviciado, ferido, pregado à cruz e morto, como de costume em cima do sacrário vagamente dourado e embutido na parede de mármore, como se nada fosse, como se entretanto mais nada tivesse acontecido, como se não tivesse havido Domingo de Páscoa, como se a história tivesse morrido ali. - Ó diabo! - pensei, desconfiado -, mas então Ele não ressuscitou ao terceiro dia?...

É em situações assim, creio, que a fé de uma pessoa vacila.