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sábado, 7 de setembro de 2019

Por pensamentos, palavras, actos e omissões

Deus ensinou-nos - porque foi Deus que inventou a religião, católica apostólica romana evidentemente, e inventou a liturgia, a cor dos paramentos, as mitras e o báculos, o beijo no anel e as isenções fiscais, as côngruas e as catequistas, e inventou as orações e a culpa -, Deus ensinou-nos a confessar que pecámos "muitas vezes por pensamentos e palavras, actos e omissões". Deus, que não dá ponto sem nó, deixou as omissões para o fim para que não nos esquecêssemos. Como se nos avisasse: - Meu filho, deixa-te de tangas, omitir, sim, é pecado, é pecado, e já me tens à perna!...
Quanto à pedofilia e outros abusos sexuais no seio da Igreja portuguesa, os nossos bispos são sobretudo omissos, quer-se dizer, pecadores. Não fizeram, não viram, não ouviram, não conhecem, não sabem. São omissos com quantos dentes têm. O último a meter o pé na argola foi o arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, numa recente entrevista ao Observador. O Dr. Jorge Ortiga, que em tempos admirei pelo seu entusiasmo e contagiante militância em favor da actualização e abertura da Igreja pós-Concílio Vaticano II (dizia-se aggiornamento, lembram-se?), subiu a bispo, ainda por cima de Braga, e parece que caducou. Também ele não sabe nada sobre pedofilia e outros abusos sexuais no seio da Igreja. Embora eu saiba que muitas pessoas sabem que o arcebispo sabe muito mais do que diz não saber. Omisso? Homessa!

domingo, 22 de julho de 2012

Jorge Ortiga de volta ao essencial

O arcebispo de Braga disse hoje que, para os políticos portugueses, "muitas vezes e quase sempre, vale apenas o bem-estar pessoal ou, quando muito, do seu grupo ou partido". Claro que qualquer político lhe poderá devolver o mimo, contrapondo que, para os bispos portugueses, muitas vezes e quase sempre, vale apenas o bem-estar pessoal ou, quando muito, do seu grupo ou irmandade. Isso é o que vai aparecer escrito e dito por aí e não me interessa absolutamente nada, porque, na verdade, e de um modo geral, os nossos bispos e os nossos políticos até estão muito bem uns para os outros.
O que me interessa é isto: Jorge Ortiga não é um qualquer. E eu quero pressentir nas palavras do prelado bracarense a mão fraterna que a Hierarquia da Igreja Católica recusou, hipócrita e cobardemente, a Januário Torgal Ferreira quando, há quatro ou cinco dias, o bispo das Forças Armadas foi lapidado na praça pública por também ter opinião. Vejo aqui, atrasado e solitário, o gesto da mais elementar caridade cristã que a Conferência Episcopal preferiu substituir pelo assobio.
E se calhar nem é nada disto. D. Jorge nunca mo dirá. Mas agradeço-lhe na mesma: hoje vou deitar-me com esta dúvida que me reanima: e se de repente tivermos Igreja?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Não se engasgue, Senhor Bispo. Diga mais.

Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, confessou que quase se engasgou esta manhã com o pequeno-almoço, quando leu que Jardim Gonçalves, antigo presidente do BCP e destacado membro do Opus Dei, recebe uma reforma de cerca de 175 mil euros. Gostei de saber. Este é o bom Dr. Jorge Ortiga que eu conheci há muitos anos e que me parecia que se tinha perdido quando entrou no Paço Episcopal. O que lhe estimo é que nunca se engasgue, caro amigo!  E fico à espera de mais.