domingo, 5 de julho de 2026
Ex-citações
Diz-me o que vestes
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Naturismo e Dia Mundial do Biquíni.)
Contra a ditadura do biquíni
Hoje é Dia Mundial do Biquíni. Nas cidades de Lisboa e Porto, milhares de nudistas prometem sair à rua em protesto.
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Biquíni e Dia Mundial do Naturismo.
domingo, 6 de julho de 2025
Ele e a natureza
domingo, 3 de julho de 2022
A minha fase naturista
Devo andar a ficar parecido com alguém. São cada vez mais as pessoas que olham para mim na rua, e eu não estava habituado a ser visto. Sempre achei que tinha cara de ninguém, tão incógnito e invisível fui durante toda a minha vida, e não me estou a queixar, constato apenas, porque senstato ainda podia ser pior, se não me engano. Por exemplo: chovesse a cântaros e corresse eu em coiro a subir e a descer desalmada e inutilmente as escadas da Arcada, no centríssimo de Fafe, e a verdade é que nem a polícia municipal tomava conta da ocorrência. Era como se eu não existisse, mesmo com o pirilau ao léu. De acordo com as detalhadas notas da minha agenda de 1911, que agora mesmo compulso e sentornozelo, pratiquei esta patusca habilidade duas ou três vezes, talvez quatro ou cinco, os apontamentos estão um bocado esborratados, e só abandonei a modalidade por indicação médica. O médico da caixa sempre me chamou Sr. Serafim porque nunca tomou razoável sentido a quem eu sou realmente. Eu próprio quantas e quantas vezes passei por mim sem me conhecer de lado nenhum, não serei portanto o primeiro nem o último a atirar a primeira ou a derradeira pedra à autoridade distraída ou ao serviço nacional de saúde relapso, respectivamente. Serei, por uma questão de princípio, o do meio.
Mas ao que interessa: agora, na rua, espreitam-me de cima a baixo. Faço imediatamente o teste da braguilha, porque a braguilha não engana, mas há muito que eu retirei a braguilha de cotio, só a uso ao fim-de-semana com hífenes e eu ao fim-de-semana com hífenes não saio. Ando portanto intrigado, diria até assaz incomodado, mas estaria a mentir se o dissesse, e eu só minto às quintas-feiras dos anos bissextos, e por isso hoje não digo. Por outro lado, a palavra assaz é particularmente parva.
Fui ao espelho ver o que se passava. Há coisa de dez minutos, fui ao espelho. E faço questão de informar que não me via ao espelho desde 1879, mais ou menos no dia do São Francisco de Regadas, ou desde 1901, por alturas da Senhora das Neves da Lagoa, não tenho bem presente. Fui ao espelho (sei que é a terceira vez que digo que fui ao espelho, e com esta já é a quarta) e aconteceu o seguinte: encontrei-me realmente com um tipo parecido comigo e saiu-me aquela frase batida: já vi esta cara em algum lado. Será isso?
P.S. - Publicado originalmente no dia 21 de Dezembro de 2014.
domingo, 4 de julho de 2021
Diz-me o que vestes
Amantes de praias e eucaliptais
Era um inverno zangado, daqueles de levar tudo à frente, e aconteceu assim, no velho tempo do desconfinamento quotidiano. Mal rompeu o dia, e não foi bem um romper, saltaram aos magotes para o Passeio Atlântico, ali em baixo. São fáceis de identificar, famílias inteiras vestidas de fato de domingo e telemóvel armado em máquina fotográfica, só lhes falta o merendeiro. Querem saber com os próprios olhos se a Praia de Matosinhos foi engolida pelo furacão, se pura e simplesmente desapareceu do mapa. Ficam desiludidos e nem sequer tiram a roupa: a praia está ali normalíssima da vida, inteira, cheia de gente a jogar à bola. Os magotes desmobilizam, as famílias tornam a casa, telemóveis murchos, num desgosto que só visto. Vão comer frango de churrasco, comprado, e assistir à desgraça como deve ser na televisão. Nus. Para a semana, se Deus quiser, vão de bicicleta visitar um eucaliptal que é uma categoria. São naturistas militantes, turistas de natureza. Quero dizer: de natureza... duvidosa.
Ele e a natureza
A minha fase nudista
Devo
andar a ficar parecido com alguém. São cada vez mais as pessoas que
olham para mim na rua, e eu não estava habituado a que me vissem. Sempre
achei que tinha cara de ninguém, tão incógnito e invisível fui durante
toda a minha vida, e não me estou a queixar, constato apenas, porque
senstato ainda podia ser pior, se não me engano. Dou um exemplo, por
exemplo: chovesse a cântaros e corresse eu em coiro a subir e a descer
desalmada e inutilmente as escadas da Arcada, no centríssimo de Fafe, e a
verdade é que nem a polícia municipal tomava conta da ocorrência. Era
como se eu não existisse, mesmo com o pirilau ao léu. De acordo com as
detalhadas notas da minha agenda de 1911, que agora mesmo compulso e
sentornozelo, pratiquei esta patusca habilidade duas ou três vezes,
talvez quatro ou cinco, os apontamentos estão um bocado esborratados, e
só abandonei a modalidade por indicação médica. O médico da caixa sempre
me chamou Sr. Serafim porque nunca tomou razoável sentido a quem eu
era. Eu próprio quantas e quantas vezes passei por mim sem me conhecer
de lado nenhum, não serei portanto o primeiro nem o último a atirar a
primeira ou a derradeira pedra à autoridade distraída ou ao serviço
nacional de saúde relapso, respectivamente. Serei, por uma questão de
princípio, o do meio.
Mas
ao que interessa: agora, na rua, espreitam-me de cima a baixo. Faço
imediatamente o teste da braguilha, porque a braguilha não engana, mas
há muito que eu retirei a braguilha de cotio, só a uso ao fim-de-semana
com hífenes e eu ao fim-de-semana com hífenes não saio. Ando portanto
intrigado, diria até assaz incomodado, mas estaria a mentir se o
dissesse, e eu só minto às quintas-feiras dos anos bissextos, e por isso
hoje não digo. Por outro lado, a palavra assaz é particularmente parva.
Fui
ao espelho ver o que se passava. Há coisa de dez minutos, fui ao
espelho. E faço questão de informar que não me via ao espelho desde
1879, mais ou menos no dia do São Francisco de Regadas, ou desde 1901,
por alturas da Senhora das Neves da Lagoa, não tenho bem presente. Fui
ao espelho (sei que é a terceira vez que digo que fui ao espelho, e com
esta já é a quarta) e aconteceu o seguinte: encontrei-me realmente com
um tipo vagamente parecido comigo, e comecei a pensar: já vi esta cara
em algum lado. Será isso?
P.S. - Publicado originalmente no dia 21 de Dezembro de 2014.
O verdadeiro drama brasileiro
As nudezes de Marisa Cruz
As inteligências lisboetas do meu falecido jornal estão hoje muito bem colocadas nos melhores jornais de referência da nossa praça. Circunspectos e lisboetas, os jornais, bem entendido.
P.S. - Publicado originalmente no dia 23 de Maio de 2019.