Não sei se sabem, a comida oficial da política em Portugal (in rima veritas) é o lombo de porco assado, que por acaso é quase sempre apenas estufado, e uma merda. Canja, lombo e musse de chocolate. Quem já passou por campanhas eleitorais e comeu todos os dias lombo, ao almoço e ao jantar, sabe muito bem do que é que eu estou a falar (mais uma vez, e peço desculpa, mas a verdade é que sou de verso fácil, in rima veritas). Depois, quando alcançam o poleiro ansiado e o povo é que paga, os políticos esquecem-se do porco, tão em conta, tão prato do dia, e servem-se entre eles peixinho da alta à lá qualquer coisa, nanja sardinha, faneca ou carapau de pé-descalço.
Olhem o Professor Marcelo (também já comi lombo de porco com ele), agora que é Presidente: no almoço cerimonial da tomada de posse, foi creme de espargos, robalo a vapor e gelado; hoje, no almoço comemorativo dos 40 anos da Constituição, a ementa versava creme de couve-flor, tranches de garoupa e pudim de Estremoz. Também uma merda, mas cheia de classe.
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sábado, 2 de abril de 2016
sábado, 9 de novembro de 2013
Cavaco e a Constituição, exactamente
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Cavaco pede acordo (entre o Governo e o PS) para evitar chumbo do Orçamento no TC, diz a manchete do jornal. Exactamente: se o Pedro e o Tozé se entenderem, que se lixe a Constituição. É um bom truque. Truque de traque. Por mor de evitar manhosas interpretações, porque é que o homem não se queda pela cortiça?
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