Numa espectacular operação
de apenas três dias - quarta, quinta e sexta-feira, que depois metia-se o fim-de-semana -, unidades
especiais da nossa GNR e da Guardia Civil espanhola conseguiram "deter
um grupo de seis terroristas que praticava o tráfico de armamento,
operando nos dois lados da fronteira, estando estes homens a preparar
uma acção terrorista na zona de Lisboa", segundo fontes oficiais. Tinha
de ser em Lisboa, é preciso defender Lisboa.
Isto foi há coisa de cinco anos, mas era a mangar. Era um faz-de-conta, um exercício transfronteiço, como
se diz, programado, com guião, e os terroristas não eram a sério. Os
terroristas, que também eram da GNR e da Guardia Civil, suponho, tinham
um papel a cumprir e cumpriram: depois de meia dúzia de tiros de pólvora
seca, entregaram-se aos bons ou morreram de enfarte, isso ainda não
percebi bem.
Eu sempre gostei de simulacros. Desde pequenino. Primeiro dos simulacros
dos Bombeiros de Fafe, na fachada do Club Fafense, depois dos
simulacros da Protecção Civil, que são sempre uma enorme confusão e uma
inesgotável poça de sangue, e agora também gosto dos simulacros das
chamadas "operações especiais". Porque nos simulacros, na hora do
balanço, correu sempre tudo bem. O sucesso do simulacro dá na televisão e
ficamos todos muito mais descansados e seguros, incluindo os
verdadeiros terroristas, que assim, um dia que se resolvam, já sabem
como se devem precatar.
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