domingo, 28 de janeiro de 2018

António Feliciano de Castilho 5

Os sonhos

Recordas-te, ingrata,
Quando eu te dizia
Que em sonhos Armia
Cedia aos meus ais?

Sorrias, coravas,
Fugias, juravas
Que nunca os meus sonhos
Seriam leais.

Armia, esta noite,
Segundo o costume,
Tomei co meu nume,
Tomei a sonhar.

Qual és, eras rosa,
Gentil, espinhosa,
Sem par nos rigores,
Nas graças sem par.

Dou graças ao fado,
Já sonho esquivança;
Já luz esperança
No meu coração.

Tu juras que em sonhos
Só há falsidades,
E nunca deidades
Juraram em vão.

"Escavações Poéticas", António Feliciano de Castilho

(António Feliciano de Castilho nasceu no dia 28 de Janeiro de 1800. Morreu em 1875.)

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