terça-feira, 28 de novembro de 2017

Luiz Ruas 2

Apocalipse

Os meteoros ameaçam nossos jardins.

É hora de decolarmos
Para a infinitude do silêncio dilatado
Com nossas asas de sonho
Antes que a terra exploda
E se escancare como a fauce
De uma desmedida flor carnívora
Faminta de nossos corpos.

Não mais teremos tempo
De colher o fruto do nosso canto

Os meteoros ameaçam nossos campos.

Os mares cobrirão nossas faces;
Os vulcões ressecarão nossos ossos;
As mãos, os ventres, os sexos
Murcharão sob o fogo das estrelas
Que cairão sobre vales e colinas.

Os meteoros ameaçam nossos rios.

É tempo de partirmos para o espanto desmedido.
Do que fomos, fizemos ou cantamos,
Ficará, apenas, o invisível traço
Do vôo da ave indivisível
Que se consumiu no espaço. 

"Poemeu", Luiz Ruas 

(Luiz Ruas nasceu no dia 28 de Novembro de 1931. Morreu em 2000.)

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