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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

A reinvenção das galochas

Quem vê caras
Quem vê caras também vê lux. E nova gente, vip, ana, maria, mariana e cristina, telenovelas, tv7dias, tv mais, tv guia e ¡hola, "por supuesto".

As mulheres do campo, as lavradeiras, sempre andaram de galochas. Era assim em Fafe, era assim o mundo. Antigamente, para os demais, uma mulher de galochas era de rir, era parola. Agora andar de galochas é moda, as mulheres vão de galochas para o escritório e para o café. Fico à espera do avental. Ainda hei-de ver as madamas a tomarem chá de mindinho esticado e com um molho de couves à cabeça.

(Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

terça-feira, 15 de outubro de 2024

As galochas, da parolice à passarela

As mulheres do campo, as lavradeiras, sempre andaram de galochas. Era assim em Fafe, era assim o mundo. Antigamente, para os demais, uma mulher de galochas era de rir, era parola. Agora andar de galochas é moda, as mulheres vão de galochas para o escritório e para o café. Fico à espera do avental. Ainda hei-de ver as madamas a tomarem chá de mindinho esticado e com um molho de couves à cabeça.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Mulher Rural.

terça-feira, 10 de maio de 2022

As galochas, da parolice à passarela

As mulheres do campo sempre andaram de galochas. Antigamente uma mulher de galochas era de rir, era parola. Agora andar de galochas é moda, as mulheres vão de galochas para o escritório e para o café. Fico à espera do avental. Ainda hei-de ver as madamas a tomarem chá de mindinho esticado e com um molho de couves à cabeça.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

As galochas, da parolice à passarela

As mulheres do campo sempre andaram de galochas. Antigamente uma mulher de galochas era de rir, era parola. Agora andar de galochas é moda, as mulheres vão de galochas para o escritório e para o café. Fico à espera do avental. Ainda hei-de ver as madamas a tomarem chá de mindinho esticado e com um molho de couves à cabeça.

domingo, 6 de abril de 2014

As chancas estão de volta (a 69 euros e cinquenta)

Foto Hernâni Von Doellinger

As chancas eram de pobres. E de choro e ranho em casa, ó mãe eu tenho vergonha de ir para a escola, quero uns sapatos como os outros meninos. Efectivamente, os meninos ricos tinham sapatos, botas e sandálias, consoante a estação do ano no tempo em que havia estações do ano, e os paizinhos dos meninos ricos, depois de razoavelmente gastos os sapatos, as botas e as sandálias, vendiam o calçado aos pais dos pobres. Vendiam. Na minha terra, os paizinhos dos meninos ricos eram muito ricos e muito da religião e da missinha e das procissões e vicentinos, mas vendiam - não davam. Vendiam. Se calhar por isso é que eram ricos. Quem dá aos pobres empresta a Deus, quem vende aos pobres é que se safa. Alguns safaram-se, amém.

Chancas é calçado de pau, valha-me Deus! E no entanto chancas era bom. Porque abaixo de chancas eram socos e abaixo de socos era descalço. Sim, descalço. Andava-se descalço no Portugal pré-25 de Abril, tal qual como agora nos querem. Não é suspeito que se tenham deitado ao lixo estes 40 anos certos?
Mas, perdi-me, era apenas para dizer isto: as chancas, exactamente como as galochas, estão na moda. Suponho que os netos, as netas, os bisnetos e as bisnetas dos ricos da minha terra correm todos a comprar chancas. Anacrónicos por maldição, os pobres da minha terra calçam sapatinho dirópito - e choram. E eu só me dá para rir.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

As galochas, da parolice à passarela

As mulheres do campo sempre andaram de galochas. Antigamente uma mulher de galochas era de rir, era parola. Agora andar de galochas é moda, as mulheres vão de galochas para o escritório e para o café. Fico à espera do avental. Ainda hei-de ver as madamas a tomarem chá de mindinho esticado e com um molho de couves à cabeça.