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sexta-feira, 20 de março de 2026

A felicidade acaba à meia-noite

Hoje, 20 de Março, é Dia Internacional da Felicidade. Eu sei que é uma chatice, mas são ordens da ONU.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Felicidade.

Dia da Felicidade e assim sucessivamente

Hoje é Dia da Felicidade. E também da Clementina, da Adelaide, da Iracema, da Adosinda, da Felisberta, da Miquelina, da Leocádia, da Emerenciana, da Umbelina, da Hortênsia da Perpétua e assim sucessivamente. Aquele gajo tem uma agenda realmente de fazer inveja...

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Felicidade.

Eis a (verdadeira) questão

A felicidade é questão de um gajo se habituar.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Felicidade.

Ao virar da esquina

A Felicidade estava sempre ao virar da esquina. Depois, pumba!, hospital...

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Felicidade.

A felicidade agarra-se pelos tomates

Jasmina era uma mulher feliz. Fazia o que queria do marido. Em casa mandava ela, e mandava nele também. O homem gostava assim. As vizinhas e amigas de Jasmina - à qual, pelas costas, chamavam Felismina - perguntavam-se, roídas de inveja: "Como é que ela consegue, como é que ela consegue?!..."
E um dia Jasmina explicou: "Trago-o bem preso pelos tomates, um bocadinho mais acima..."

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Felicidade. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

O caminho da Felicidade

É fácil, facilíssimo. Sempre em frente até ao largo da igreja, vira à direita pela rua com árvores, passa pelo campo da bola e pela sede, torna à esquerda e logo na esquina, encostada ao café e depois do funileiro, há uma casa pequenina com porta vermelha e vasinhos floridos na janela: é aí que ela mora. Ela e os dois filhos. Cuidado com o cão!

P.S - Hoje é Dia da Poinsétia.

domingo, 23 de junho de 2024

Os dias inúteis

Embirro solenemente com a terminologia manga-de-alpaca dos "dias úteis" e das "horas de expediente". A que propósito é que os nanocrânios da inexplicável burocracia terreiro-paçal determinaram e mandaram publicar que os meus sábados, os meus domingos, os meus feriados e dias santos, as minhas férias, se eu as tivesse, ou as férias deles são dias, por assim dizer, imprestáveis para a Nação? Quem lhes deu semelhante poder?
Onde é que estas sumidades acéfalas foram buscar a peregrina ideia de que os meus melhores dias não prestam? Eu, que tenho a mania de ser antes pelo contrário, desrespeito-os, desobedeço-lhes e contrario-os com quanta força consigo, e gozo como um perdido nos fins-de-semana e correlativos. Por acaso até são os meus dias mais úteis, a minha mulher que diga.
Depois, chateiam-me as "horas de expediente", expressão tão prestável ao duplo sentido e que sempre me deixou com a pulga atrás da orelha. A minha dúvida é apenas esta, segredada pela pulga residente: será que, das 9 às 17, nas Finanças, no Registo, nas autarquias ou nos ministérios, o papel do funcionalismo passa por lançar mão de todos os truques e armadilhas possíveis e inimagináveis para nos infernizar a vida e sacar-nos tudo, até o cotão dos bolsos, a mando do Estado? Então mais vale ir lá bater à porta depois do fecho dos serviços. Pode ser que, sem a obrigação do expediente, sejamos enfim atendidos com honradez.

P.S. - Hoje é Dia das Nações Unidas para o Serviço Público.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

O caminho para a Felicidade

- É fácil, facilíssimo. Sempre em frente até ao largo da igreja, vira à direita pela rua com árvores, passa pelo campo da bola e pela sede, torna à esquerda e logo na esquina, encostada ao café e depois do funileiro, há uma casa pequenina com porta vermelha e vasinhos floridos na janela: é aí que ela mora. Ela e os dois filhos. Cuidado com o cão!

P.S. - Hoje é Dia do Florista. No Brasil. E Dia do Repórter Fotográfico. Também no Brasil.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

O segredo do casamento feliz

O segredo para um casamento duradouro, harmonioso, pacífico e feliz não é segredo nenhum. É simples. As decisões, grandes e pequenas, devem ser tomadas em casal, por mútuo acordo. E, em caso de unilateralidade, fazer sempre o que ela manda.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

O caminho para a Felicidade

- É fácil, facilíssimo. Sempre em frente até ao largo da igreja, vira à direita pela rua com árvores, passa pelo campo da bola e pela sede, torna à esquerda e logo na esquina, encostada ao café e depois do funileiro, há uma casa pequenina com porta vermelha e vasinhos floridos na janela: é aí que ela mora. Ela e os dois filhos. Cuidado com o cão!  

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Os dias inúteis

Embirro solenemente com a terminologia manga-de-alpaca dos "dias úteis" e das "horas de expediente". A que propósito é que os nanocrânios da burocracia terreiro-paçal determinaram e mandaram publicar que os meus sábados, os meus domingos, os meus feriados e dias santos, as minhas férias, se as tivesse, ou as férias deles são dias, por assim dizer, imprestáveis para a Nação? Quem lhes deu semelhante poder?
Eu, que tenho a mania de ser antes pelo contrário, desobedeço-lhes com quanta força consigo e gozo como um perdido nos fins-de-semana e correlativos. São os meus dias mais úteis.
Depois, chateiam-me as "horas de expediente", expressão tão prestável ao duplo sentido e que sempre me deixou com a pulga atrás da orelha. A minha dúvida é apenas esta, segredada pela pulga: será que, das 9 às 17, nas Finanças, nas autarquias ou nos ministérios, o papel do funcionalismo passa por lançar mão de todos os truques e armadilhas possíveis e inimagináveis para nos infernizar a vida e sacar-nos tudo, até o cotão dos bolsos, a mando do Estado? Então mais vale ir lá bater à porta depois do fecho dos serviços. Pode ser que, sem a obrigação do expediente, sejamos enfim atendidos com honradez.
Acredito que não estou sozinho nesta minha embirração. E por isso hoje apelo a que todos me sigam na desobediência. Apelo à revolta. Não vamos sair à rua para partir montras e pilhar iPods ou atirar pedras às cabeças dos polícias, nem vamos sequer cagar à porta dos políticos, como se recomendaria, mas combinamos o seguinte: peguemos nestes quatro dias "inúteis" que temos pela frente a façamo-nos felizes como se o fim do mundo fosse para a semana. Façamo-nos felizes, antes que a felicidade pague imposto ou seja proibida por decreto.

P.S. - Publicado originalmente no dia 12 de Agosto de 2011. Hoje, 23 de Junho, é Dia das Nações Unidas para o Serviço Público.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Provemos a Felicidade e não só

São os anúncios: mandam-nos provar a Felicidade. Porém. Organizações de defesa do consumidor recomendam que, antes da escolha final, provemos também a Clementina, a Adelaide, a Iracema, a Adosinda, a Felisberta, a Miquelina, a Leocádia, a Emerenciana, a Umbelina, a Hortênsia e a Perpétua. Pelo menos.

P.S. - A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor foi criada no dia 12 de Fevereiro de 1974.

sábado, 21 de novembro de 2020

Portugal celebra com alegria o Dia Mundial do Oi!

Foto Hernâni Von Doellinger

Caro Amigo,
Lembrei-me de te escrever hoje. Há que tempos, não é? Andei a mexer nas gavetas, faço-o uma vez por ano, sei lá eu porquê, e no meio da papelada encontrei meia dúzia de abraços antigos mas ainda em razoável estado de conservação. É o que me resta. Acho que é uma pena deitá-los fora. Vou mandar-te um que já não me serve. Espero que te fique bem.

Paroles, paroles, paroles
Dizem-me que as palavras já não valem nada. Mentira. As palavras são cada vez mais poderosas, as palavras dominam as nossas vidas. As palavras até tomaram o lugar dos afectos, dos carinhos. Reparem: antigamente davam-se beijos, davam-se abraços; agora dizem-se beijos, dizem-se abraços. O gesto ancestral e puro foi substituído pela retórica etiquetada, o contacto físico acabou vergado ao esboço da intenção - à simulação. À dissimulação?
Dizemos "Beijinhos", dizemos "Abraço", dizemos olá de boca, e assim ficamos. Pelas palavras. Beijos e abraços são só vocábulos. Mantemos uma distância alegadamente higiénica entre nós, os alegados amigos uns dos outros. Dizemos. Ao telefone, por escrito, ao vivo na pressa da rua, na patetice dos emojis. Dar a sério (à séria, se lido em Lisboa) é que não. Ninguém dá nada a ninguém - nem sequer beijos, nem sequer abraços. Fazemos votos de. "O que lhe estimo é um beijo", "Desejo-lhe um excelente abraço"...
É. Olhem bem à volta: as palavras estão em alta, navegam de vento em popa. As palavras. O que verdadeiramente está em crise é a palavra, a palavra singular e definitiva, essa vaga memória de uma honra démodée que se arrasta pelas ruas da amargura - abandonada, pobre, cega e nua. Mas isto, claro, sou eu a dizer e são apenas... palavras, palavras, palavras.  

Devolveram-me o amplexo
O meu amigo fazia anos e eu mandei-lhe uma SMS: "Parabéns. Abraço."
O meu amigo respondeu-me, também por SMS: "Devolvo o abraço. Obrigado."
E eu pensei: o abraço teria defeito?

Saudações amigas?
Escrevi aí a uma criatura e, no final, mandei-lhe um "grande abraço". A criatura despachou-me e, no final, mandou-me, para a troca, "saudações amigas". Saudações amigas? Mas, Senhor Bispo, o que raio são saudações amigas? Evidentemente serão o contrário de saudações inimigas, mas o que são saudações inimigas? Abraço, eu sei: o abraço é sólido, palpável, vê-se, sente-se, dá-se, recebe-se, aperta-nos, aproxima-nos, humaniza-nos. Agora, saudações amigas...


Amigo é a solidão derrotada!, como dizia o O'Neill
Dá-me para isto ultimamente. Pergunto aos meus amigos: - Andas feliz? És feliz? Pergunto-lhes acerca do coração, dos afectos, do casamento, do divórcio, da mulher, da namorada, da mulher e das namoradas (há quem acumule), dos filhos, dos netos, dos irmãos, dos pais, dos sogros, da saúde, da fé, da filosofia, da poesia, de Deus, dos sonhos, da vida. Falamos de bondade, de amor, de compaixão, de vinho. "És feliz? Andas feliz?", é o que pergunto, exactamente da mesma maneira que pergunto em casa, à mesa, se a comidinha está a saber bem.
A vida para ter algum jeito também deve saber bem, não é? Os meus amigos são poucos e interessam-me muito e por isso é que são sem aspas e sem Facebook. Somos amigos cara a cara, de abraço de carne e osso. Deve ser da idade, ou então da falta de ar no armário, mas eu e os meus amigos andamos cada vez mais abraçadeiros uns com os outros. Os meus amigos sabem que eu cozinho e são meia dúzia deles. Às vezes frequentam-me a mesa ou o balcão da cozinha, por mor de umas fanecas com arroz de tomate ou de umas bifanas que me trazem quentinhas. E eu sou um felizardo por eles me frequentarem a vida.


Escrevo aqui sobre abraços desde Novembro de 2103. Os abraços são-me caros e saem-me baratos, mas quê?, agora temos ordens para abraçarmos os nossos amigos apenas por correspondência, derivado ao coronavírus. Vou guardá-los, aos abraços, talvez na quarentena do congelador, junto às ervilhas e ao bacalhau demolhado, e escrever muitos postais. Espero que não se estraguem no frigorífico, os abraços, porque a verdade é esta: fazem-me uma certa e determinada falta.

P.S. - Hoje, 21 de Novembro, é Dia Mundial do Olá. E já agora, para todos ucês, um grande oi! e múltiplos saravás!

domingo, 15 de novembro de 2020

Provemos a Felicidade e não só

São os anúncios: mandam-nos provar a Felicidade. Porém. Organizações de defesa do consumidor recomendam que, antes da escolha final, provemos também a Clementina, a Adelaide, a Iracema, a Adosinda, a Felisberta, a Miquelina, a Leocádia, a Emerenciana, a Umbelina, a Hortênsia e a Perpétua. Pelo menos. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Maria Cristina Gama de Figueiredo

Felicidade
 
O homem é sempre maior que a dor:
a dor é pequena
e o sonho é grande.
Nasçam grandes homens com grandes sonhos
porque eu dei certo.
Sonhei e realizei e acreditei.
E um dia fui pássaro
no grande céu do mundo!
 
"Trilogia do Poderoso Imperfeito: O Violino Cerebrino", Maria Cristina Gama de Figueiredo

(Maria Cristina Gama de Figueiredo nasceu no dia 6 de Junho de 1964. Morreu em 2010.)

quinta-feira, 7 de abril de 2016

A felicidade é questão de um gajo se habituar

                                                                                                                 Foto Hernâni Von Doellinger

A este propósito, ou a propósito nenhum, segue o texto que escrevi e publiquei aqui pela primeira vez no dia 30 de Novembro de 2013, então sob o título "Um Natal mais ou menos":

Dá-me para isto ultimamente: pergunto aos meus amigos - "Andas feliz? És feliz?", e não é por causa da crise ou da merda da política ou dos bandalhos que estão no Governo. Nada disso - quero que essa corja de Lisboa se foda, refoda e contrafoda. Aos meus amigos pergunto acerca do coração, dos afectos, do casamento, do divórcio, da mulher, da namorada, da mulher e das namoradas (há quem acumule), dos filhos, dos netos, dos irmãos, dos pais, dos sogros, da saúde, da fé, da filosofia, da poesia, de Deus, dos sonhos, da vida. Falo de bondade, de amor, de compaixão, de vinho. "És feliz? Andas feliz?", é o que pergunto, exactamente da mesma maneira que pergunto em casa, à mesa, se a comidinha está a saber bem.
A vida para ter algum jeito também deve saber bem, não é? Pelo menos é o que eu acho, pratico e digo aos meus amigos, dinheiro à parte e emprego também, que só fazem falta a quem tem. A nós, não - o País já deu baixa de nós, de mim e dos meus amigos. Estamos muito bem assim com isto que nos deixaram em comum: somos tesos encartados, desempregados por conta própria, cidadãos fora de prazo, viva Portugal! Os meus amigos interessam-me muito e por isso é que são sem aspas e sem Facebook. Somos amigos cara a cara, de abraço de carne e osso. Os meus amigos sabem que eu cozinho e são meia dúzia deles. Às vezes frequentam-me a mesa. Percebem o que eu quero dizer quando lhes pergunto, imodesto, se as fanecas eram mesmo assim e nem mais nem menos e se os rojões estão prontos para as olimpíadas. Percebem e respondem com grande selectividade (a selectividade e as retroescavadoras com luzinhas são cá coisas do forno interno). Eram e estão, as fanecas e os rojões, respondem na ponta da língua, sem precisarem de mentir. Mas se lhes pergunto directamente - "És feliz?", os meus amigos limitam-se a balbuciar um "Mais ou menos" que até parece da minha família.
Vou mandar passar aos meus amigos os competentes atestados de Bombas, esses sublimados militantes do vai-se andando. Eu rasgo o cartão, desarrisco-me.

terça-feira, 19 de março de 2013

Professor de ginástica é que era

José Mourinho tem também isto de especial: diz as maiores barbaridades e fica bem na televisão. Em entrevista à RTP, falando do seu lado pessoal e familiar, o técnico do Real Madrid explicou que, "se não tivesse seguido o mundo do futebol", seria "professor" e "feliz". "E se calhar seria uma vida muito melhor do que aquela que acabámos por ter", precisou.
Pois se calhar. Em 2012, Mourinho foi novamente o treinador mais bem pago do mundo. Ganhou 14 milhões de euros. Uma chatice.