Era burro. Muito burro. Tão burro, que não sabia...
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domingo, 20 de dezembro de 2020
terça-feira, 27 de outubro de 2020
Fino como um alho
Burro como um soco. Duro como um corno. Bêbado como um cacho. Quer-se dizer: o soco, o corno e o cacho, que culpa é que têm?...
segunda-feira, 27 de julho de 2020
O retrato de Salazar
Tive a sorte de conhecer a Senhora Dona Laura Summavielle mãe (1879-1971), uma mulher extraordinária que viveu uma vida muito à frente do seu tempo. Tal como eu a via do alto dos meus oito, nove anos, a matriarca da ínclita geração dos Summavielles era então uma velhinha toda guicha, franzina e pândega. No tempo da ditadura fascista, a notável senhora tinha uma curiosa brincadeira que apelava à interacção de Fafe inteiro que lhe passasse por baixo da comprida sacada da casa da família, na Rua Monsenhor Vieira de Castro, mesmo em frente ao Cinema. Fosse quem fosse. Eu também não escapei à partida, mais do que uma vez, e com muito gosto.
Comigo era assim: mal me via aproximar, a marota da Senhora Dona Laura, de lá de cima, dizia num falsete altivo porém educado:
- Ó menino, apanhe-me aí, por favor, esse retrato do Dr. António de Oliveira Salazar, que me caiu sem querer..
E eu lá apanhava. E era o quê? A fotografia mesmo do ditador? Não. Era uma carta de jogar, saída de uns baralhos que havia naquela altura e que não sei se ainda existem, para além do que eu guardo cá em casa. Exactamente: afinal o retrato de Salazar era uma carta. Mas não cuidem que era uma carta qualquer, um duque, uma sena ou, mesmo, um valete. Nem era o rei. Nem o ás. O retrato de Salazar era... o burro.
P.S. - Publicado originalmente no dia 27 de Setembro de 2011. António de Oliveira Salazar morreu no dia 27 de Julho de 1970.
Comigo era assim: mal me via aproximar, a marota da Senhora Dona Laura, de lá de cima, dizia num falsete altivo porém educado:
- Ó menino, apanhe-me aí, por favor, esse retrato do Dr. António de Oliveira Salazar, que me caiu sem querer..
E eu lá apanhava. E era o quê? A fotografia mesmo do ditador? Não. Era uma carta de jogar, saída de uns baralhos que havia naquela altura e que não sei se ainda existem, para além do que eu guardo cá em casa. Exactamente: afinal o retrato de Salazar era uma carta. Mas não cuidem que era uma carta qualquer, um duque, uma sena ou, mesmo, um valete. Nem era o rei. Nem o ás. O retrato de Salazar era... o burro.
P.S. - Publicado originalmente no dia 27 de Setembro de 2011. António de Oliveira Salazar morreu no dia 27 de Julho de 1970.
terça-feira, 7 de julho de 2020
Fino como um alho
Burro como um soco. Duro como um corno. Bêbado como um cacho. Quer-se dizer: o soco, o corno e o cacho, que culpa é que têm?...
terça-feira, 27 de setembro de 2011
O retrato de Salazar
Também tive a sorte de conhecer a D. Laura Summavielle mãe (1879-1971), uma mulher extraordinária que viveu uma vida muito à frente do seu tempo. Tal como eu a via do alto dos meus oito, nove anos, a matriarca da ínclita geração dos Summavielles era então uma velhinha toda guicha, franzina e pândega. No tempo da ditadura fascista, a senhora tinha uma curiosa brincadeira, que apelava à interacção de Fafe inteiro que lhe passasse por baixo da comprida sacada da casa da família, na Rua Monsenhor Vieira de Castro, mesmo em frente ao Cinema. Fosse quem fosse. Eu também não escapei à partida, mais do que uma vez, e com muito gosto.
Comigo era assim: mal me via aproximar, a marota da D. Laura, de lá de cima, dizia num falsete altivo mas educado:
- Ó menino, apanhe-me aí, por favor, esse retrato do Dr. António de Oliveira Salazar, que eu deixei cair...
E eu lá apanhava. E era o quê? Era mesmo a fotografia do ditador? Não. Era uma carta de jogar, saída de uns baralhos que havia naquela altura e que não sei se ainda existem. Exactamente: afinal, o retrato de Salazar era uma carta. Mas não cuidem que era uma carta qualquer, um duque, uma sena ou, mesmo, um valete. Nem era o rei. Nem o ás. O retrato de Salazar era... o burro.
Comigo era assim: mal me via aproximar, a marota da D. Laura, de lá de cima, dizia num falsete altivo mas educado:
- Ó menino, apanhe-me aí, por favor, esse retrato do Dr. António de Oliveira Salazar, que eu deixei cair...
E eu lá apanhava. E era o quê? Era mesmo a fotografia do ditador? Não. Era uma carta de jogar, saída de uns baralhos que havia naquela altura e que não sei se ainda existem. Exactamente: afinal, o retrato de Salazar era uma carta. Mas não cuidem que era uma carta qualquer, um duque, uma sena ou, mesmo, um valete. Nem era o rei. Nem o ás. O retrato de Salazar era... o burro.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Fala-me estrangeiro, que eu gosto
Para quem ainda não percebeu (e é preciso ser burro!), fiz um apanhado e o que se passou foi o seguinte: a Moody's cortou o rating de Portugal, em quatro níveis, de Baa1 para Ba2, com Outelook negativo, transformando a dívida soberana do País em junk. Para além disso, desceu a nossa dívida de curto prazo para Not prime. A notação portuguesa deixou, portanto, de ser considerada investment-grade. Há quem classifique como "extremamente infeliz" o timing destas decisões, numa altura em que Lisboa começava a passar a limpo os apontamentos que a troika lhe deixou, mas a agência financeira avisa que até pode nem ficar por aqui, ameaçando com novos downgrades. Por outro lado, analistas norte-americanos dizem que o corte da Moody's já era esperado pelo mercado. Porquê? Muito simplesmente porque "a 775 pontos base, o CDS implica um rating CCC e 49 por cento de capacidade cumulativa de incumprimento nos próximos cinco anos". Realmente.
As consequências da decisão da Moody's não se fizeram esperar. As bolsas europeias acusaram o toque, com quase todos os sectores a negociarem no vermelho, justificando realce o sector de Health Care, que negociou praticamente flat. O índice parisiense CAC 40 e o índice alemão DAX 30 caíram 0,44% e 0,22%. Já o vizinho madrileno IBEX 35 recuou 1,22%. O petróleo fechou em queda no Nymex, mas o brent acabou a subir. Em Portugal, o PSI 20 afundou 3,03% para 7.126,29 pontos, naquela que foi a pior sessão do ano e em que se destacou a underperformance do BCP. E, no entanto, ontem foi o dia em que o Executivo de Passos Coelho aprovou o fim das golden share.
As yields a quatro, cinco, seis, sete, oito, nove e dez anos subiram mais de 100 pontos. O preço dos credit default swaps sobre as OT nacionais a cinco anos também subiu. O spread entre as obrigações do Tesouro português a 10 anos e as bund alemãs superou a barreira psicológica dos 1.000 pontos base.
Finalmente, teme-se que a Fitch e a Standard & Poor's copiem a Moody's e mandem fechar esta treta.
Já perceberam? Eu ainda não percebi, e é preciso ser burro!
Mas porque é que estes gajos nos falam assim? Eles não querem que a gente perceba, pois não?
As yields a quatro, cinco, seis, sete, oito, nove e dez anos subiram mais de 100 pontos. O preço dos credit default swaps sobre as OT nacionais a cinco anos também subiu. O spread entre as obrigações do Tesouro português a 10 anos e as bund alemãs superou a barreira psicológica dos 1.000 pontos base.
Finalmente, teme-se que a Fitch e a Standard & Poor's copiem a Moody's e mandem fechar esta treta.
Já perceberam? Eu ainda não percebi, e é preciso ser burro!
Mas porque é que estes gajos nos falam assim? Eles não querem que a gente perceba, pois não?
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