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sábado, 11 de outubro de 2025

O almário

O almário era um móvel de madeira, metal ou outro material com prateleiras, gavetas e portas, utilizado para arrumar roupas, louças, livros e outras cangalhadas. Dir-me-eis: mas isso é armário! Sim, é armário, que por acaso também é o móvel onde se guardam armas, e também pessoa grande, larga e robusta, tipo porteiros de discoteca ou jogadores de andebol, e também sítio de onde saem homossexuais, mas em Fafe os mais antigos e mais do povo chamavam almário ao armário, talvez embalados por ecos galegos. E chamavam bem, a palavra está correcta, devidamente registada, e ainda hoje tem bom uso, quanto mais não seja, literário.
Almário, digo agora eu, seria igualmente bonito se entendido como aquele cómodo da casa ou de nós onde guardamos os sentimentos, todos os nossos estados de alma, uma espécie de almazém. Isso mesmo, almazém, leram bem, não é engano. Almazém, que era como também se dizia armazém em Fafe. E estava certo, almazém. E está certo! E se, por outro lado, almazém pudesse ser, proponho, um armazém de almas? De almários?

(Publicado no meu blogue Mistérios de Fafe)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

No armário

Cá em casa, quem veste a saia sou eu. E a minha mulher perguntou-me:
- O sal refinado onde é que está, no armário ou na despensa?
E eu, da cozinha:
- O refinado? No armário, é claro.