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sábado, 16 de setembro de 2017

Zito Batista 2

Meu coração

Meu coração é um lúgubre convento:
Dentro dele, a rezar noites inteiras,
As minhas ilusões - tristonhas freiras
Vivem presas de estranho desalento...

E ouvindo, às vezes, queixas agourentas,
E ameaças de morte e sofrimento,
- Soluçando, no escuro isolamento,
Falam de amor as pobres prisioneiras...

No entanto, outrora alegre, iluminado,
Como a igreja formosa em que se canta
A missa azul da crença e do conforto,

Meu coração foi céu alcandorado,
Onde imperava, ingenuamente santa,
A forma viva do meu sonho morto!

Zito Batista 

(Zito Batista nasceu no dia 16 de Setembro de 1887. Morreu em 1926.)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Zito Batista

O Carnaval

Põe a máscara e vai para a folia,
Na afetação de uns gestos singulares,
Esquecido dos íntimos pesares
Que te atormentam todo santo dia...
 

Homem doente, perdido nesses mares
Tenebrosos da dúvida sombria,
Vê que há lá fora um frêmito de orgia,
Mesmo através das coisas mais vulgares!
 

Põe-te a cantar, desabaladamente!
Vai para a rua aos trambolhões, às tontas,
Como se enlouquecesses de repente...
 

Agarra-te à alegria passageira:
Olha que o que te espera, ao fim de contas,
É o triste Carnaval da vida inteira...
 

Zito Batista 

(Zito Batista nasceu no dia 16 de Setembro de 1887. Morreu em 1926.)