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sábado, 15 de agosto de 2026

domingo, 7 de julho de 2019

Artur Azevedo 5

Que horror

Estou esplenético e tétrico.
Sorumbático e sombrio...
Vi de longe um bonde elétrico!
Não faço versos, não rio...


"Rimas", Artur Azevedo

(Artur Azevedo nasceu no dia 7 de Julho de 1855. Morreu em 1908.)

segunda-feira, 29 de abril de 2019

João Penha 5

Lamúrias

"Que pena! Tenho o corpo tão bonito,
E nenhum amoroso me procura!
E, quem sabe?, talvez à sepultura
Eu me vá, de capela e de palmito!


"Em tempos, um rapaz muito esquisito,
Inda imberbe mas lindo de figura,
Passava, mas fugiu! Que desventura:
Era da raça dos Josés do Egipto!

"E os dias vão passando, sem que veja
A mais ligeira mutação de cena!
Por sobre mim uma ave negra adeja!

"De corpo tão bonito, alta e morena
À própria Vénus causaria inveja,
E assim tão bela... durmo só! Que pena!"


"Ecos do Passado", João Penha

(João Penha nasceu no dia 29 de Abril de 1838. Morreu em 1919.)

sábado, 7 de julho de 2018

Artur Azevedo 4

Milagre
 
Com cinco pães o Cristo
Deu de comer a cinco mil pessoas!
Eu não me assombro disto,
Pois tu, que o meu espírito magoas,
Tens um só coração
E amas, contudo, uma multidão!

"Rimas", Artur Azevedo

(Artur Azevedo nasceu no dia 7 de Julho de 1855. Morreu em 1908.)

domingo, 29 de abril de 2018

João Penha 4

Cena de taberna

Vede-o, além, no esconso, à luz mortiça
Do velho lampadário que vacila!
No lábio tem o insulto, e na pupila
O raio ardente que as paixões atiça.

Vede-os, que são rivais! Fatal cobiça
Violenta os arrancou à paz tranquila,
E no rude brigar, que os aniquila,
Já tingem de vermelho o chão e a liça!

- "Acima o canjirão!" - com voz acesa
Diz a mais fera na tremenda luta,

"Acima!" - e pousa-o sobre a mesa.

Mas, vendo soçobrar a massa bruta
Do insolente rival, dos vinhos presa:
- "Venci! diz vomitando; é minha a truta!"


"Rimas", João Penha

(João Penha nasceu no dia 29 de Abril de 1838. Morreu em 1919.)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Francisco de Pina e Melo

Solilóquio

Já que o sol pouco a pouco se desmaia
E meu mal cada vez mais se desvela,
Enquanto a pena, a ânsia, a mágoa vela,
Quero aqui estar sozinho nesta praia.


Que bravo o mar se vê! Como se ensaia
Na fúria e contra os ares se rebela!
Como se enrola! Como se encapela!
Parece quer sair da sua raia.


Mas também que inflexível, que constante
Aquela penha está à força dura
De tanto assalto e horror perseverante!


Ó empolado mar, penha segura,
Sois a imagem mais própria e semelhante
De meu fado e da minha desventura.


"Rimas", Francisco de Pina e Melo

(Francisco de Pina e Melo nasceu no dia 7 de Agosto de 1695. Morreu em 1773.)