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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

José Décio Filho 2

Poema vertical 

Dei um mergulho em mim mesmo,
num pulo de cabeça a baixo.
Tudo lá no fundo está quieto
como os caminhos abandonados;
a paisagem esfumou-se e confundiu-se
num apaziguamento de cansaço.


Perdi-me nos atalhos sedutores,
gastei linhas retas e curvas,
inquietações e deslumbramentos.
De místicas visões e amargos projetos
fiz um montão de cadáveres.


Quanto trabalho perdido,
quanto tempo dissipado!
Mas de tudo que ajuntei
na mais lírica desordem,
alguma coisa houve de ficar,
alguma coisa que às vezes
se resolve em minha poesia ou em silêncio.


"Poemas e Elegias", José Décio Filho

(José Décio Filho nasceu no dia 8 de Janeiro de 1918. Morreu em 1976.)

domingo, 8 de janeiro de 2017

José Décio Filho

Elegia feita no cárcere (III)

Eu conheci a noite.
no segredo de todos os seus tormentos.
Vi também as auroras
vestidas de orvalhos.

Os animais - entes meus irmãos -
me contaram os mistérios
de minha mãe, a terra.
Os peixes estão dormindo
no seio escuro das águas.
Os pássaros estão cantando
para acalentar minha tristeza
que é o peso do mundo.

Do seio profundo do sol
busquei para meus olhos
essa luz inextinguível.

Fruí teus beijos
e de tantas outras
que nem sei quem o amor
há de me trazer
para o meu eterno consolo.

Não estou cansado,
mas os homens que tanto amei
me algemaram à solidão.
Vou encontrar a mim mesmo
no fundo da minha origem.
Lúcido, sereno e humilde,
eu voltarei um dia.

"Poemas e Elegias", José Décio Filho

(José Décio Filho nasceu no dia 8 de Janeiro de 1918. Morreu em 1976.)