Soneto da caixa de fósforos
Minha cápsula de incêndios,
meu cofre de labaredas!
Meu pelotão de alva farda
e altas barretinas pretas:
se só num níquel quem vende-os
lhes aquilata o valor,
teus granadeiros da guarda
não se inflamam de pudor!
Fiat Lux do meu verso,
símbolo vivo do amor:
qualquer fricção te incendeia,
te arranca estrelas de dor,
minha gaveta de chamas
com sementes de calor.
"Frauta de Barro", Luiz Bacellar
(Luiz Bacellar nasceu no dia 4 de Setembro de 1928. Morreu em 2012.)
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terça-feira, 4 de setembro de 2018
Luiz Bacellar 2
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Soneto da caixa de fósforos
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Luiz Bacellar
Soneto do canivete
Do gume aceso se cumpra
o destino de ser-quilha
e o destino de ser peixe
no ímpeto da mola oculta;
do cabo córneo se cumpra
o destino de ser concha
bivalve guardando a folha:
molusco vidrado e alerta.
Cumpra-se o ávido destino
de esfolar laranjas vivas
e fazer lascas de pinho
na timidez corrosiva
dentro do punho incrustada
da lâmina envergonhada.
Do gume aceso se cumpra
o destino de ser-quilha
e o destino de ser peixe
no ímpeto da mola oculta;
do cabo córneo se cumpra
o destino de ser concha
bivalve guardando a folha:
molusco vidrado e alerta.
Cumpra-se o ávido destino
de esfolar laranjas vivas
e fazer lascas de pinho
na timidez corrosiva
dentro do punho incrustada
da lâmina envergonhada.
"Frauta de Barro", Luiz Bacellar
(Luiz Bacellar nasceu no dia 4 de Setembro de 1928. Morreu em 2012.)
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