Equus
Pela amplidão da paz bucólica do prado
- Ondulando ao sabor dos zéfiros a crina
Ora meneia a cauda, ora esbelto se empina,
Como se o cavalgasse um cavaleiro ousado.
Companheiro imortal do impávido soldado,
Nas tradições marciais da espada e da clavina,
Do alto, as praças, no bronze escultural, domina,
Pelos fastos da lenda heroica eternizado!
Calígula... Alexandre... Átila... toda a História
No-lo revela. E afeito à heroicidade cega
Sempre que ouve um clarim na sugestão da glória,
Estaca - orelhas no ar! - relincha... resfolega...
E vê-se-lhe no olhar, em clarões de vitória,
Relampaguear a hostil nevrose da refrega!
"Colunas", Luís Carlos
(Luís Carlos nasceu no dia 10 de Abril de 1880. Morreu em 1932.)
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terça-feira, 10 de abril de 2018
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Luís Carlos
O poeta
Ninguém saiba quem sou. Quero viver sepulto
Na minha solidão grandíloqua de asceta,
Preferindo aos clarões do mundo a luz secreta,
Que aclara, quando é sonho, e abrasa, quando é culto.
Perpasse eu pela vida aparentando um vulto
Envolto no pudor, como visão discreta.
Mas que surja, por fim, transfigurado em poeta,
Da crisálida azul em que o meu ser oculto.
E, através da efusão fecundante do dia,
Suba àquelas regiões, de onde os sóis não se somem,
No equilíbrio imortal da suprema harmonia.
E fique no esplendor que as eras não consomem,
Provando, pela glória estranha da poesia,
Como pode caber um deus dentro de um homem!
"Colunas", Luís Carlos
(Luís Carlos - Luís Carlos da Fonseca Monteiro de Barros - nasceu no dia 10 de Abril de 1880. Morreu em 1932.)
Ninguém saiba quem sou. Quero viver sepulto
Na minha solidão grandíloqua de asceta,
Preferindo aos clarões do mundo a luz secreta,
Que aclara, quando é sonho, e abrasa, quando é culto.
Perpasse eu pela vida aparentando um vulto
Envolto no pudor, como visão discreta.
Mas que surja, por fim, transfigurado em poeta,
Da crisálida azul em que o meu ser oculto.
E, através da efusão fecundante do dia,
Suba àquelas regiões, de onde os sóis não se somem,
No equilíbrio imortal da suprema harmonia.
E fique no esplendor que as eras não consomem,
Provando, pela glória estranha da poesia,
Como pode caber um deus dentro de um homem!
"Colunas", Luís Carlos
(Luís Carlos - Luís Carlos da Fonseca Monteiro de Barros - nasceu no dia 10 de Abril de 1880. Morreu em 1932.)
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