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terça-feira, 10 de abril de 2018

Luís Carlos 2

Equus

Pela amplidão da paz bucólica do prado
- Ondulando ao sabor dos zéfiros a crina
Ora meneia a cauda, ora esbelto se empina,
Como se o cavalgasse um cavaleiro ousado.

Companheiro imortal do impávido soldado,
Nas tradições marciais da espada e da clavina,
Do alto, as praças, no bronze escultural, domina,
Pelos fastos da lenda heroica eternizado!

Calígula... Alexandre... Átila... toda a História
No-lo revela. E afeito à heroicidade cega
Sempre que ouve um clarim na sugestão da glória,

Estaca - orelhas no ar! - relincha... resfolega...
E vê-se-lhe no olhar, em clarões de vitória,
Relampaguear a hostil nevrose da refrega!

"Colunas", Luís Carlos

(Luís Carlos nasceu no dia 10 de Abril de 1880. Morreu em 1932.)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Luís Carlos

O poeta

Ninguém saiba quem sou. Quero viver sepulto
Na minha solidão grandíloqua de asceta,
Preferindo aos clarões do mundo a luz secreta,
Que aclara, quando é sonho, e abrasa, quando é culto.

Perpasse eu pela vida aparentando um vulto
Envolto no pudor, como visão discreta.
Mas que surja, por fim, transfigurado em poeta,
Da crisálida azul em que o meu ser oculto.

E, através da efusão fecundante do dia,
Suba àquelas regiões, de onde os sóis não se somem,
No equilíbrio imortal da suprema harmonia.

E fique no esplendor que as eras não consomem,
Provando, pela glória estranha da poesia,
Como pode caber um deus dentro de um homem!

 "Colunas", Luís Carlos

(Luís Carlos - Luís Carlos da Fonseca Monteiro de Barros - nasceu no dia 10 de Abril de 1880. Morreu em 1932.)