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| Foto Hernâni Von Doellinger |
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A Batalha de Castillon foi levada a efeito em 1453, faz hoje exactamente 566 anos, e ficou na História como a derradeira e decisiva batalha da
Guerra dos Cem Anos, que decorreu razoavelmente entre franceses e ingleses. A França ganhou, e
félicitations à la cousine. A Guerra dos Cem Anos chama-se Guerra dos Cem Anos porque durou cento e dezasseis anos, mas chamar Guerra dos Cento e Dezasseis Anos à Guerra dos Cem Anos não dava jeito nenhum aos historiadores e contabilistas bancários, e assim começaram os arredondamentos.
Eu cuido que a Batalha de Castillon se efectivou em Fafe, numa antiga elevação entre a Ponte do Ranha, o Socorro, a Fábrica do Papelão, a casa da Dona Aurora e o Estádio. Ali se situava, com efeito, o famoso monte de Castelhão, como se diz em português, ou Castilhom, como se diz em
fafês. O monte de Castelhão era um sítio aprazível para a realização de todo o tipo de batalhas, como por exemplo brincar aos cobóis, e tinha um belíssimo pionono, de que infelizmente não há muita certeza. Mas deixemo-nos de ciência. Apontemos, antes, aos piononos de Fafe, que já aqui contei:
No monte de São Jorge havia um pionono. E constava que havia outro no
monte de Castelhão. Fui testemunha de ambos, embora o segundo possa não
ter existido. O pionono, para mim, era uma espécie de meco que ajudava
montes de pouca monta a porem-se em bicos de pés, a chegarem-se a uma
certa altura, a uma altura
certa, a um número redondo que desse jeito falar. Quero dizer: era uma
espécie de sapato de salto alto para caga-tacos, porém ao contrário, com
o tacão virado para cima e usado na cabeça. Depois tomei conhecimento
do Pio
IX, mas nunca percebi a relação, e acho um insulto chamar-lhe marco
geodésico. Ao papa.
Assim com maiúscula, o Pionono era exactamente em São Jorge, é justo que
se diga. Pionono era nome próprio, sítio, geografia. "Vou ao Pionono".
Ia-se ao Pionono. Ia-se aos pinheiros pelo Natal, ia-se aos fentos para o
eido ou às giestas secas para espertar a lareira do chão da cozinha,
ia-se brincar aos cobóis, ia-se cagar ao monte e ia-se dar umas
trancadas, e o que eu gostava da palavra trancadas, mesmo sem conseguir
alcançar o que ela quereria dizer.
(As giestas também davam umas vassouras de categoria e o Trancadas era
um barbeiro mesmo ao lado do tasco do Neca do Hotel,
o que se revelava de uma comodidade extrema. Por falar nisso, lembro-me
de descer um degrauzinho, mais cá para o centro da vila, ali entre a
sombria loja da Rosindinha Catequista e a Cafelândia, mas esse era o Sr.
António
Grande, o segundo barbeiro do meu padrinho Américo. Eu ia lá com o meu
padrinho mais o meu tio Zé da Bomba, aos sábados de manhã, que naquele
tempo eram sempre de sol. Na espera lia-se "O Primeiro de Janeiro", mal
eu sabia
que ainda o havia de fazer. O meu padrinho Américo e o meu tio Zé da
Bomba eram irmãos do meu pai, o grande Lando Bomba, e depois foram meus
pais, à falta do propriamente dito, por razão de força maior.)
Hoje os montes de São Jorge e de Castelhão são casas e é o progresso.
Fafe já não tem piononos. Mas, dizem-me, tem ainda a "Garrafinha" e
historiadores até dar com um pau. Um deles, quem dera que não chova,
ainda há-de contar esta como deve ser.
P.S. - Pio-nono será a forma "correcta" de
escrever, se nos referirmos
ao meco. Mas pionono pode ser também nome de doce muito popular em
Espanha, na América Latina e nas Filipinas.