Mostrar mensagens com a etiqueta Fausto Cardoso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fausto Cardoso. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Fausto Cardoso 2

Taças

Deslumbrado cheguei chorando à terra, um dia;
e, do lauto festim da vida, achei-me à mesa;
sempre libei cantando a taça da Alegria
embebedou-me sempre o vinho da Tristeza.

Esplêndidas visões trouxeram-me à porfia as
ânforas do Amor; e de volúpia acesa,
minha boca de boca em boca um mosto hauria,
que de tédio me encheu por toda a Natureza.

Dá-me a velhice a taça; eu das paixões prescindo;
e, ébrio, ascendo a espiral de um sonho delicioso,
no vinho da Saudade achando um gosto infindo...

Parece-me o passado um rio luminoso,
onde vogo a rever, pelas margens florindo,
a dor, que ao longe tem as seduções do gozo! 
Fausto Cardoso 
(Fausto Cardoso nasceu no dia 22 de Dezembro de 1864. Morreu em 1906.)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Fausto Cardoso

O Amor

Eu sou o Amor, o Deus que a terra inteira gaba!
Vivo enlaçando os sóis pelo Universo afora,
Dos ódios expurgando a venenosa baba,
Que os mundos desagrega, espalha e desarvora.

O tempo tudo avilta; a morte tudo acaba;
E o louro sol jamais a murcha flor colora;
Novos mundos, porém, do mundo que desaba
Faço surgir e salto em rutilante aurora!

Caso estrelas no céu e corações na terra;
Da treva arranco luz; do nada arranco vida,
E crivo de vulcões o gelo que a alma encerra!

Mudam-te o peito em mar meus lúbricos desejos,
E tua mente ondeia e fulge colorida,
Como raio de luz entre vergéis de beijos!


Fausto Cardoso

(Fausto Cardoso nasceu no dia 22 de Dezembro de 1864. Morreu em 1906.)