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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ela gostava de se apernaltar

Pergunta com rasteira
Gostava de fazer perguntas com rasteira. Era realmente um indivíduo traiçoeiro e particularmente violento.

Ela, vaidosa, gostava de se apernaltar. Não é que ela fosse irremediavelmente baixa no seu magnífico metro e cinquenta e sete, na verdade os seus pés chegavam quase sempre ao chão, pelo menos quando andava, mas ela gostava de sentir-se nas nuvens. Só calçava "carrinhos de choque" e recorria a todos os expedientes para crescer a olhos vistos. E metia tudo o que podia: cunhas, calços, avançados, médios defensivos, rampas, plataformas, saltos, tacões e até palmilhas em camadas, como bolo recheado. Era de rir vê-la caminhar naqueles preparos altaneiros e amiúde circenses, e ao riso dos outros ela chamava inveja, sentimento rasteiro, coisa de gente pequena. Portanto era isso, não é erro, não há engano - ela gostava mesmo de se apernaltar.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Síndrome das Pernas Inquietas.)

Pernas até ao cu

O Estreito de Ormuz
Havia o Grosso da Coluna e o Maciço Central, robustos e tonificados. Agora temos o Estreito de Ormuz, esse lingrinhas.

No tempo em que os animais falavam. Falava-se de mulheres longas ou extralongas - mulherões, avionas, tranconas a perder de vista - e dizia-se que elas tinham pernas até ao cu. Pelo menos na minha terra dizia-se. Como se as mulheres eventualmente mais manejáveis - perrotas, batoques, torneirinhas como a faneca - tivessem pernas apenas até ao joelho, vá lá.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Síndrome das Pernas Inquietas.)