sábado, 29 de março de 2025
À hora ou há ora?
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Cê tá topando?!...
No país dos setores
O Actávico
Era bom rapaz o velho Octávio com cê. Bom rapaz, porém antigo no que diz respeito a pensamento, usos e costumes. Baptista com pê, o mordomo do Club sem é, até lhe costumava chamar, por graça, Dr. Actávico. Com dois cês.
O guarda noturno
A insondável diferença entre espetador e espetador
Qual é a diferença entre um espetador e um espetador? Numa tourada, por exemplo, o que é que distingue os espetadores dos espetadores? Uns pagam bilhete e os outros fazem os touros pagá-las, é isso, não é? E espetadores de gelo: são adereços muito jeitosos para filmes de suspense ou uma audiência que não reage, por melhor ou pior que a fita seja? O que devo pensar quando leio um título de jornal que me diz que "Acidente em rali francês provoca a morte a dois espetadores"? E, já agora, no voyeurismo, quem é o verdadeiro espetador: o que fica a ver ou o que copula?
Desorientação sexual
A verdade é mesmo esta: ele nunca conseguiu distinguir um tecto de um teto. E elas levavam a mal...
A língua brasileira
Recapitulando: a língua brasileira, também designada brasileiro, é uma das línguas
oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações
Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana
e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Com aproximadamente
280 milhões de falantes, o brasileiro é a quinta língua mais falada no
mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no
hemisfério sul do planeta.
A língua portuguesa, também designada português, é falada e escrita por uns quantos velhos e teimosos como eu.
Eu e Ação
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Eu e Ação, mas não só Ação (Ação que me desculpe). Também Aju, Azé, Agui e Ami, Alu, Abé, Adi e Adé, Abia, Alena, Alina e Atina, Ananda, Atita, Axana e Abela, Aquina, Alela, Aberta e Aminda, Amila, Alaide, Amira e Amina, Anilde, Adora, Amela e Alice, Abecas, Alisa, Amicas e Aguida, Amilu, Amizé, Amicá e Arora, Agusta, Anela, Anô e Anor, Ané, Alinda, Adina, Azeza, Agina e assim sucessivamente...
Como é que se escreve a palavra porcausa?
A jovem profissional precisava de trocar uma folga e procurou ajuda
junto da colega da secretaria. Uma de cada lado do balcão. Giras. A
colega da secretaria passou o papel e a esferográfica à jovem
profissional, e começou a ditar:
- Solicito, so-li-ci-to, troca de folga, de fol-ga, do dia 15 para o dia 23, por causa...
-
Porcausa? Que palavra é essa? Como é que se escreve? - interrompeu a
jovem profissional, descontraidamente ignorante e escandalizada, e,
tipo, com toda a razão.
A extraordinária palavra apartir, cá está ela...
| Foto Hernâni Von Doellinger |
A responsável pela empresa de condomínio, licenciada e Doutora de nome próprio, precisava de escrever um aviso para colocar nas entradas do prédio e nos elevadores. Perfeita dominadora da língua portuguesa, tinha apenas uma pequenina dúvida: como é que se escreve a palavra apartir? Perguntou ao seu pessoal, que é ela, e não duvidou segunda vez. Determinou então e mandou publicar: "A Adminsitração de Condomínio informa os Srs Condominos que no próximo, dia 2 de Maio de 2017, da parte da manha, vai-se proceder a uma lavagem na garagem coletiva. Solicitamos aos Srs Condominos que retirem as suas viaturas e os bens que se danificam com a agua, dos lugares de garagem, apartir das 8:30 horas, para a sua realização."
Exactamente, apartir. A palavra apartir escreve-se da mesma forma que as palavras asseguir e afeder. Tal como porcausa. A palavra porcausa escreve-se da mesma forma que as palavras porexemplo, poracaso e porfavor. Todas estas palavras obedecem ao mesmo princípio - o da ignorância.
Questões entre parênteses
Quando os parênteses lhe caíram na lama, substituiu-os por vírgulas.
A morte da nação
Bilac (1865-1918) e Pessoa (1888-1935). Não quero saber aqui quem é ovo ou quem é galinha, nem me interessa como assunto, de momento, o miserável, escusado e alegado acordo ortográfico. Lembrei-me foi dos professores doutores da mula ruça, traidores à pátria, que enchem a boca de "periúdos", de "interésses", de "rúbricas", de "perzeveranças", de "mediúcres". Enchem a boca e apodrecem a língua. Apodrecem a língua e matam a nação.
António Costa, por exemplo. Já era tempinho de aprender a falar português, depois de, em 2015, ter aprendido a não falar mandarim. Não há lá pelos corredores e gabinetes de São Bento quem saiba ensinar ao nosso primeiro-ministro a basezinha das regras de concordância, alguém que o proíba de comer sílabas enquanto fala? Falar com a boca cheia é, para além do mais, falta de educação.
Contra fatos não há argumentos
Era um desses modernos verificadores de fatos. Trabalhava numa alfaiataria.
O guarda-fatos
Tinha uma vida muito arrumadinha. Ao fim do dia, na hora das orações da noite e do exame de consciência, ponderava fatos e mentiras. Desfazia-se das mentiras no cesto do lixo, pendurava os fatos no roupeiro. Evidentemente.
Entre o coça-mos e o coçamos
As duas flexões coexistem, mas, apesar de próximas na grafia, não se equivalem. Por outro lado, distinguem-se claramente pela pronúncia, até porque, regra geral, nestes casos a sílaba tónica é diferente.
O problema é que as pessoas não sabem escrever sobretudo porque não sabem ler. Se soubessem ler, então também saberiam que, por exemplo, dizer ou escrever chupamos, lambemos, mordemos, arregaçamos, aquecemos, coçamos ou agarramos, vá lá, é uma coisa; outra bem diferente será dizer ou escrever chupa-mos, lambe-mos, morde-mos, arregaça-mos, aquece-mos, coça-mos ou agarra-mos, vá lá...
P.S. - Publicado originalmente no dia 2 de Março de 2016, sob o titulo "Quando o hífen é um erro mas alegra a vida". Hoje, 8 de Setembro, é Dia Mundial ou Dia Internacional da Alfabetização (ou da Literacia).
terça-feira, 8 de setembro de 2020
E por falar em rubrica
O verbo estar faz-me falta, tão a ver?
Mas depois chegou a "crise", e o velho verbo Estar foi despedido e substituído por um verbo novo, jovem e dinâmico, pau para toda a colher, e a recibo verde: o verbo Tar. O verbo Tar, que é dito por gente de várias marcas, sobretudo na televisão, dos treinadores de futebol aos políticos, dos produtores de cinema aos jornalistas. O verbo Tar, que até já saiu escrito nos jornais...
Não foi coisa de repente, é preciso que se note. Foi assim como aquele peido lento, manso, longo, solerte, que, vai-se a ver, acaba em merda - e não se armem em escandalizados: quem nunca passou pela curricular experiência das cuecas borradas, que meta o dedo pelo cu acima.
Dizia eu: o verbo. O caso é que o verbo Estar faz-me falta, foram muitos anos, eu estava muito afeito a ele, achei uma injustiça o que lhe fizeram, e deram-me as saudades. Fui à procura do meu verbo e fiz duas descobertas: primeira - o badaladíssimo verbo Tar não existe (parece impossível!); segunda - o bom e velho verbo Estar afinal não morreu, continua a bulir, intransitivo e irregular como sempre, mas no activo (e no passivo, já agora).
Portanto, ó mentes captas!, ó analfabetos militantes!, quando quiserdes dizer estar, dizei estar, porque dizeis bem. Porque o verbo Estar existe, é um bocadinho mais velho do que vós, mas aguenta-se, e, se não estou em erro, conjuga-se mais ou menos assim:
eu estou
tu estás
ele está
nós estamos
vós estais
eles estão
eu estava
tu estavas
ele estava
nós estávamos
vós estáveis
eles estavam
eu estive
tu estiveste
ele esteve
nós estivemos
vós estivestes
eles estiveram
tu estiveras
ele estivera
nós estivéramos
vós estivéreis
eles estiveram
eu estarei
tu estarás
ele estará
nós estaremos
vós estareis
eles estarão
tu estarias
ele estaria
nós estaríamos
vós estaríeis
eles estariam
que ele esteja
que nós estejamos
que vós estejais
que eles estejam
se eu estivesse
se ele estivesse
se nós estivéssemos
se vós estivésseis
se eles estivessem
quando tu estiveres
quando ele estiver
quando nós estivermos
quando vós estiverdes
quando eles estiverem
eu estar
tu estares
ele estar
nós estarmos
vós estardes
eles estarem
tu tens estado
ele tem estado
nós temos estado
vós tendes estado
eles têm estado
tu tinhas estado
ele tinha estado
nós tínhamos estado
vós tínheis estado
eles tinham estado
eu tivera estado
tu tiveras estado
ele tivera estado
nós tivéramos estado
vós tivéreis estado
eles tiveram estado
tu terás estado
ele terá estado
nós teremos estado
vós tereis estado
eles terão estado
tu terias estado
ele teria estado
nós teríamos estado
vós teríeis estado
eles teriam estado
que tu tenhas estado
que ele tenha estado
que nós tenhamos estado
que vós tenhais estado
que eles tenham estado
se tu tivesses estado
se ele tivesse estado
se nós tivéssemos estado
se vós tivésseis estado
se eles tivessem estado
quando eu tiver estado
quando tu tiveres estado
quando ele tiver estado
quando nós tivermos estado
quando vós tiverdes estado
quando eles tiverem estado
eu ter estado
tu teres estado
ele ter estado
nós termos estado
vós terdes estado
eles terem estado
está
esteja
estejamos
estai
estejam
não estejas
não esteja
não estejamos
não estejais
não estejam
estar
estado
estando.
Sócrates não "interviu", diz a Smooth FM
P.S. - Publicado originalmente no dia 20 de Junho de 2016. Hoje, 8 de Setembro, é Dia Mundial ou Dia Internacional da Alfabetização (ou da Literacia).
Uma língua que apodrece, uma nação que agoniza
Bilac (1865-1918) e Pessoa (1888-1935). Não quero saber aqui quem é ovo ou quem é galinha, nem me interessa como assunto, de momento, o miserável, escusado e alegado acordo ortográfico. Lembrei-me foi dos professores doutores da mula ruça, traidores à pátria, que enchem a boca de "periúdos", de "interésses", de "rúbricas", de "perzeveranças", de "mediúcres". Enchem a boca e apodrecem a língua. Apodrecem a língua e matam a nação.
António Costa, por exemplo. Já era tempinho de aprender a falar português, depois de, em 2015, ter aprendido a não falar mandarim. Não há lá pelos corredores e gabinetes de São Bento quem saiba ensinar ao nosso primeiro-ministro a basezinha das regras de concordância, alguém que o proíba de comer sílabas enquanto fala? Falar com a boca cheia é, para além do mais, falta de educação.
P.S. - Publicado originalmente no dia 18 de Dezembro de 2013. Hoje, 8 de Setembro, é Dia Mundial ou Dia Internacional da Alfabetização (ou da Literacia).