Palavras, nem sempre as leva o vento
Manda o costume devolver o insulto
com outro insulto igual, senão melhor.
Não procedais assim, que é baixo e estulto.
Temeis o mal? Pois evitai o pior.
Cada palavra que dizeis de vulto,
como o som de um violino anda em redor,
depois de vos revoar no ser oculto,
por onde a ressonância a fez maior.
O violino, porém, não se recorda
do som que um dia lhe vibrou na corda,
e o vosso coração fica a fremir;
e, às vezes, a palavra, além, se esquece,
enquanto em vosso peito permanece,
como pedra que a um lago foi cair.
Amadeu Amaral
(Amadeu Amaral nasceu no dia 6 de Novembro de 1875. Morreu em 1929.)
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segunda-feira, 6 de novembro de 2017
domingo, 6 de novembro de 2016
Amadeu Amaral
Soneto
A terra é dura, o sol é bravo; a geada
destruidora; aves más e más formigas
assolam tudo, e a planta acarinhada
mal resiste a essas forças inimigas.
Que importa! Lavra sempre. Não maldigas
a terra ingrata. Não maldigas nada.
Talvez um dia o preço das fadigas
brote do sulco da robusta enxada.
Mas, quanto mais a terra é ingrata, e bravo
o sol e as aves são cruéis, e o resto,
mais valor mostrarás em continuar.
Que é gentileza não viver escravo
da ganância, e plantar só pelo gesto
religioso e sereno de plantar!
"Poesias", Amadeu Amaral
(Amadeu Amaral nasceu no dia 6 de Novembro de 1875. Morreu em 1929.)
A terra é dura, o sol é bravo; a geada
destruidora; aves más e más formigas
assolam tudo, e a planta acarinhada
mal resiste a essas forças inimigas.
Que importa! Lavra sempre. Não maldigas
a terra ingrata. Não maldigas nada.
Talvez um dia o preço das fadigas
brote do sulco da robusta enxada.
Mas, quanto mais a terra é ingrata, e bravo
o sol e as aves são cruéis, e o resto,
mais valor mostrarás em continuar.
Que é gentileza não viver escravo
da ganância, e plantar só pelo gesto
religioso e sereno de plantar!
"Poesias", Amadeu Amaral
(Amadeu Amaral nasceu no dia 6 de Novembro de 1875. Morreu em 1929.)
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