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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Humberto Lyrio 2

Fim de tarde

Em meio a teu labor risonho ou grave,
Quer na opulenta sala ou na oficina,
Ergue tua alma, leve como uma ave,
Quando ao dia o crepúsculo domina.


Que teu cenho, afinal se desagrave,
E, do Infinito a cérula cortina,
Possa abrir-se a teus olhos para a suave
Penetração da luz da ara divina.


Sofreu, não só o que lutou no mundo.
Quem o humano porvir sonhou fecundo,
Viu, quase em cada poro, atra ferida.


Ergue, pois, ao crepúsculo, uma prece.
A Deus louvando, lembra o que padece
Pelos atalhos lúgubres da vida.

"Almas no Espelho", Humberto Lyrio

(Humberto Lyrio nasceu no dia 29 de Novembro de 1918)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Humberto Lyrio

Alma livre

Sou cigano e não sei se a minha caravana
Ainda uma vez terá o sol de tua aldeia,
Disco de ouro e rubi, esse sol incendeia
Teu sangue de mulher amorosa e tirana.

Para o filho da Boêmia é a sorte soberana;
Tem, no Acaso, seu deus; no Amor, que inspira e enleia,
O universo resume, e à noite, à lua cheia,
À angústia do violino a sua angústia irmana.

Traz no fogo do olhar a imagem das distâncias,
O eco das solidões em seu peito soluça,
Como soluça o mar, na concha, as próprias ânsias.

Sabe que a vida é breve e vã a angústia humana,
Tem um código seu. Nele, estóico, se embuça.
Se a alegria findou, que siga a caravana
.


"Almas no Espelho", Humberto Lyrio

(Humberto Lyrio nasceu no dia 29 de Novembro de 1918)