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sexta-feira, 30 de março de 2018

Adelino Fontoura 4

Atração e repulsa

Eu nada mais sonhava nem queria
Que de ti não viesse, ou não falasse;
E como a ti te amei, que alguém te amasse,
Coisa incrível até me parecia.

Uma estrela mais lúcida eu não via
Que nesta vida os passos me guiasse,
E tinha fé, cuidando que encontrasse,
Após tanta amargura, uma alegria.

Mas tão cedo extinguiste este risonho,
Este encantado e deleitoso engano,
Que o bem que achar supus, já não suponho.

Vejo, enfim, que és um peito desumano;
Se fui ter junto a ti de sonho em sonho,
Voltei de desengano em desengano. 

Adelino Fontoura

(Adelino Fontoura nasceu no dia 30 de Março de 1859. Morreu em 1884.)  

quinta-feira, 30 de março de 2017

Adelino Fontoura 3

Ohs! e ais!

Essa mulher que tantos ohs! provoca,
Essa mulher que tantos ais! arranca,
Essa mulher quem é? Por que abre a boca
O Silvestre quando a vê? - É branca?


É morena? É francesa? É carioca?
As belezas helênicas desbanca?
O seu olhar os cérebros desloca?
O seu sorriso as lágrimas estanca?


Vamos, Raimundo, tu que viste há dias
A mágica visão, o ser terrestre,
Por quem já deste uns ais! e uns ohs! eu sinto,


Tira as garras da dúvida ao Matias,
Faze valsar o Lins, rir o Silvestre
E reler os Subsídios o Filinto.
 

Adelino Fontoura 

(Adelino Fontoura nasceu no dia 30 de Março de 1859. Morreu em 1884.)

quarta-feira, 30 de março de 2016

Adelino Fontoura 2

A mão

Quando meu lábio trêmulo te oscula
A pequenina mão delgada e fina,
Como uma pomba trêmula que arrula
Minha vida, mal sabes! - canta e pula
Na rósea palma dessa mão divina!


Adelino Fontoura

(Adelino Fontoura nasceu no dia 30 de Março de 1859. Morreu em 1884.)

segunda-feira, 30 de março de 2015

Adelino Fontoura

Celeste

É tão divina a angélica aparência 
e a graça que ilumina o rosto dela, 
que eu concebera o tipo de inocência 
nessa criança imaculada e bela. 

Peregrina do céu, pálida estrela, 
exilada na etérea transparência, 
sua origem não pode ser aquela 
da nossa triste e mísera existência. 

Tem a celeste e ingênua formosura 
e a luminosa auréola sacrossanta 
de uma visão do céu, cândida e pura. 

E quando os olhos para o céu levanta, 
inundados de mística doçura, 
nem parece mulher - parece santa.

(Adelino Fontoura nasceu no dia 30 de Março de 1859. Morreu em 1884.)