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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Há 635 anos que ninguém vê a padeira

É a chamada mulher de barba rija. Feia, grande, cabelos espetados, seis dedos em cada mão e forte como um hércules. E o nome, Brites de Almeida, também lhe fica de modo, tal como um certo comportamento masculino e o bigode de que ninguém fala mas que certamente. Assim seria a Padeira de Aljubarrota, segundo a tradição popular, porém já se sabe: quem conta um conto acrescenta um ponto, e assim nasce o mito.
Esta padeira nunca existiu. Ainda assim, a lenda liga-a à Batalha de Aljubarrota e ao massacre que se lhe teria seguido, mas que também nunca aconteceu. Brites seria a líder de um grupo de populares, tipo claque de futebol, que perseguiu os castelhanos em fuga. Brites emboscou-se, fez-lhes espera, aos desgraçados dos espanhóis, e matou com as as próprias mãos uns tantos, se por acaso fosse verdade e o Benfica tivesse claques.
Nessa noite de 14 de Agosto de 1385, a padeira chegou a casa e descobriu sete espanhóis escondidos no forno onde costumava cozer o pão. Ela percebeu logo que eles eram espanhóis porque diziam muito "qué rico!", "vale, vale!", "qué tal, qué tal?" e outros nomeadamentes. Sem pestanejar, ou ainda que pestanejando derivado à farinha, Brites pegou na pá e bateu-lhes até os matar, um a um, à medida que os infelizes iam saindo do forno.
O professor catedrático e historiador Francisco Ribeiro da Silva contou-me uma vez que a Padeira de Aljubarrota pertence à classe dos "mitos simpáticos que sublinham muito justamente o importante papel de algumas mulheres na História de Portugal", o lado, por exemplo, da nossa Maria da Fonte.

P.S. - A Batalha de Aljubarrota decorreu muito bem lá pelo final da tarde do dia 14 de Agosto de 1385. Pela fresca, digamos assim. Mais sobre portuguesas de barba rija, num registo completamente diferente, aqui)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

As dez maiores tangas da História de Portugal 10

10. A Padeira de Aljubarrota. É a chamada mulher de barba rija. Feia, grande, cabelos espetados, seis dedos em cada mão e forte como um hércules. E o nome, Brites de Almeida, também lhe fica ao modo, tal como um certo comportamento masculino e o bigode de que ninguém fala mas que certamente. Assim seria a Padeira de Aljubarrota, segundo a tradição popular, porém já se sabe: quem conta um conto acrescenta um ponto, e assim nasce o mito.
Esta padeira nunca existiu. Ainda assim, a lenda liga-a à Batalha de Aljubarrota e ao massacre que se lhe teria seguido, mas que também nunca aconteceu. Brites seria a líder de um grupo de populares que perseguiu os castelhanos em fuga, tendo-se emboscado e morto com as as próprias mãos muitos deles.
Nessa noite de 14 de Agosto de 1385, a padeira chegou a casa e encontrou sete espanhóis escondidos no forno onde costumava cozer o pão. Sem pestanejar, ou ainda que pestanejando derivado à farinha, pegou na pá e bateu-lhes até os matar, um a um, à medida que os dresgraçados iam saindo do forno.
Francisco Ribeiro da Silva, professor catedrático e historiador, quando com ele falei sobre o assunto, colocou a Padeira de Aljubarrota na classe dos "mitos simpáticos que sublinham muito justamente o importante papel de algumas mulheres na História de Portugal", ao lado, por exemplo, da Maria da Fonte...

Esta série, que hoje termina, saquei-a de um trabalho que escrevi para a revista de fim-de-semana do jornal 24horas, em Março de 2007, introduzindo-lhe as necessárias adaptações temporais e porventura, involuntariamente, alguns erros de transcrição. Era um ranking, "Os 10 maiores mitos da História de Portugal", e, para o fazer, pedi a ajuda de especialistas reputados: Manuela Mendonça, historiadora e presidente da Academia Portuguesa de História, os historiadores e professores catedráticos António Manuel Hespanha, Fernando de Sousa e Francisco Ribeiro da Silva, o escritor e historiador portuense Hélder Pacheco e o arqueólogo e historiador Joel Cleto.
Para além dos dez mais, já vistos, sobrou uma longa e curiosa lista de outros mitos aos quais, por uma unha negra, calhou a rolha de cortiça, também chamada de "menção honrosa"...
A saber: Radicalismo do primeiro liberalismo; Antiguidade do sentido nacional; Fidelidade da coroa à Santa Sé; Igreja espoliada pelo Estado liberal; Natureza fascista do regime de Salazar; País sem sociedade civil, dependente do Estado; Empenhamento da oposição republicana no combate ao analfabetismo; Republicanismo do Porto e do Norte; Cortes de Lamego de 1143; Tratado de Methuen de 1703; Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal); Associações religiosas ou de tendência secretista; Somos um país atrasado; Salazar, o salvador da Pátria; Infante D. Henrique nos Painéis de S. Vicente; Pedro Álvares Cabral; Viriato; Estilo das igrejas medievais românicas; Desembarque dos Bravos do Mindelo; Menires e antas, obra de mouros ou celtas; Imagem de Nossa Senhora de Fátima; Sapateiro de Trancoso; Sousa Martins; Velho do Restelo; O rei das estradas; Corpo incorrupto de D. João II. 

(Mais sobre portuguesas de barba rija, num registo completamente diferente, aqui)