No dédalo das mãos sem saudade
do som uníssono da pedra rolando
entre a base do destino e o passado,
abismo transporto mas ainda aberto
por sob os passos do cadáver despedaçado
pelas feras fulvas entre o rumor
das violas, ah! das violas rubras
do fim do mundo negro do olvido
imenso dos pássaros sem idade,
dilúvio de palpitações através da carne
que sobe os degraus do templo e os destrói;
sepultados quem nos ouve ao longe
entre a floresta dos veados vermelhos
crepitando de salto em salto?
Muda tempestade de cabelos cor de laranja
vai a voz de encontro aos anjos vítreos
e, com o fragor do templo ruindo sob
o gume de um espesso mistério
conduzido pela máquina sem tréguas,
abjecta dor que uma pinça acaricia
ao longo do rio onde o anjo se debruça
e, curvado tinge de solidão a espada
ninho do lento inseto do silêncio,
para destruir o fulgor do trágico corpo.
Alfredo Margarido
(Alfredo Margarido nasceu no dia 5 de Fevereiro de 1928. Morreu em 2010.)
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