sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Poesias completas e praticamente reunidas (vol. III)

Banda
Banda
do casaco,
banda gástrica, banda magnética,
banda desenhada, banda do cidadão, banda cromática,
banda larga, onda curta, Banda Miranda, The Band,
banda sonora, Banda Musical de Trajeitos de Baixo

cara à banda, a Outra Banda, pôr de banda,
vai àquela banda

embandeirar em arco, abandonar o barco

bandeira, bandarra,
bandarilha, bandeja,
bandolete, bandó, bandado,
bandeirada, bandeirante, bandeirinha,
bandeirola

bando, bandolim,
bandido, bandoleiro,
bandalheira, debandada

bandulho

a banda abunda,
abana a bunda. 


Sem condições para que a poesia aconteça
Olho pela janela e está sol.
Choveu que Deus a deu
durante
quase toda a manhã,
mas agora não. Está sol.

Olho pela janela e vejo
telhados vermelhos e cinzentos,
cinzentos suspeito que de lusalite,
e quase me dá uma himoptise.
Tusso e desisto.

Vejo cinco telhados, cinco
o resto são paredes, paredes
de prédios de doze andares, doze
cheios de janelas e marquises, marquises.

Paredes prédios a precisarem pelo menos de pintura.
Pintura.

Nos telhados, nem um gato
nem uma gaivota, um melro sequer.
Estão cá sempre, menos o melro, e hoje
agora
não sei o que lhes deu.

Estou sem gatos,
sem pássaros,
sem chuva.

Assim não há condições
para fazer poesia,
condições
para que a poesia aconteça.

Acho que vou
escrever um livro.

(P.S. - A puta da gaivota chegou agoríssima, são as 15h12, mas não me vai escangalhar o brilharete. Fica tudo como estava, em respeito pela verdade da literatura em particular e da arte em geral.)
(P.S. 2 - E agora apareceu o caralho do gato, são as 15h33. É o que eu digo: a poesia é o momento. E entretanto tornou a chuva...)

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