segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Irene Lisboa 4

Solidão 

Cai chuva, chora.
Chora, chora.
Solidão, solidão!

Já não canta o pássaro.
Calou-se a voz, a alegre, a rara.
A que se ouvia solitária.

Cai chuva.

Não sou freira e estou num convento.
A paz, o silêncio, a chuva, os claustros...

Ser freira! 

O sequestro, cantar, rezar.
Cai chuva, rude e sem dor.
Tu não choras.
Sou eu que choro. 


Que é do pássaro, como cantava?
Voltou, voltou. Pia!
Bendito pássaro, onde estás?
Acompanha-me, já não chove.
Solidão, melancolia. 


"Outono Havias de Vir", Irene Lisboa

(Irene Lisboa nasceu no dia 25 de Dezembro de 1892. Morreu em 1958.)

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