quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Guilherme de Azevedo 4

[Ó máquinas febris]

Ó máquinas febris! eu sinto a cada passo,
nos silvos que soltais, aquele canto imenso
que a nova geração nos lábios traz suspenso
como a estância viril duma epopeia d'aço!


Enquanto o velho mundo arfando de cansaço
prostrado cai na luta, em fumo negro e denso
levanta-se a espiral desse moderno incenso
que ofusca os deuses vãos, anuviando o espaço! 


Vós sois as criações fulgentes, fabulosas,
que, vibrantes, cruéis, de lavas sequiosas,
mordeis o pedestal da velha majestade! 


E as grandes combustões que sempre vos consomem
começam, num cadinho, a refundir o homem,
fazendo ressurgir mais larga a humanidade!

"A Alma Nova", Guilherme de Azevedo

(Guilherme de Azevedo nasceu no dia 30 de Novembro de 1839. Morreu em 1882.)

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