| Foto Hernâni Von Doellinger |
quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
Manoel de Barros 8
Retrato do artista enquanto coisa
A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
- eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
Manoel de Barros
(Manoel de Barros nasceu no dia 19 de Dezembro de 1916. Morreu em 2014.)
A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
- eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
Manoel de Barros
(Manoel de Barros nasceu no dia 19 de Dezembro de 1916. Morreu em 2014.)
Vitorino Nemésio 7
A tempo
A tempo entrei no tempo,
Sem tempo dele sairei:
Homem moderno,
Antigo serei.
Evito o inferno
Contra tempo, eterno
À paz que visei.
Com mais tempo
Terei tempo:
No fim dos tempos serei
Como quem se salva a tempo.
E, entretanto, durei.
"O Verbo e a Morte", Vitorino Nemésio
(Vitorino Nemésio nasceu no dia 19 de Dezembro de 1901. Morreu em 1978.)
A tempo entrei no tempo,
Sem tempo dele sairei:
Homem moderno,
Antigo serei.
Evito o inferno
Contra tempo, eterno
À paz que visei.
Com mais tempo
Terei tempo:
No fim dos tempos serei
Como quem se salva a tempo.
E, entretanto, durei.
"O Verbo e a Morte", Vitorino Nemésio
(Vitorino Nemésio nasceu no dia 19 de Dezembro de 1901. Morreu em 1978.)
Ernesto Guerra da Cal 6
Esfinge
Muito antes de sentir
nas narinas da alma
o aroma
íntimo
intenso
nocturno
feminino
da
magnólia indizível
do
teu
sexo
Muito antes de gostar
na língua da minha alma
o sabor
mel e leite
lírio e rosa
dos
biquinhos direitos
dos
teus
peitos
tive
o
pressentimento
do
teu
nu corpo infindo
e
das
vias sem termo
do
labirinto cego
da
tua
carne
isolada e deitada
no meio
do
deserto
"Ramalhete de Poemas Carnais", Ernesto Guerra da Cal
(Ernesto Guerra da Cal nasceu no dia 19 de Dezembro de 1911. Morreu em 1994.)
Muito antes de sentir
nas narinas da alma
o aroma
íntimo
intenso
nocturno
feminino
da
magnólia indizível
do
teu
sexo
Muito antes de gostar
na língua da minha alma
o sabor
mel e leite
lírio e rosa
dos
biquinhos direitos
dos
teus
peitos
tive
o
pressentimento
do
teu
nu corpo infindo
e
das
vias sem termo
do
labirinto cego
da
tua
carne
isolada e deitada
no meio
do
deserto
"Ramalhete de Poemas Carnais", Ernesto Guerra da Cal
(Ernesto Guerra da Cal nasceu no dia 19 de Dezembro de 1911. Morreu em 1994.)
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