sexta-feira, 22 de julho de 2016

Mercado incomum

                                                                                                                  Foto Hernâni Von Doellinger

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Adoro, adoro, adoro!

Adoro ver na televisão o trabalho dos jovens e famosos chefs da nouvelle cuisine portuguesa. Adoro!
Adoro ver aquele modo de confecção improvável, os ingredientes inovadores, variados e mínimos, o requinte e a cerimónia, a delicadeza, a anorexia na dose, a obra de arte final, aquela espécie de ilha cubista no meio do prato em branco, adornada com bagas, com ervas inventadas, com salpicos e rabiscos de geleias coloridas. Salpicos e rabiscos aparentemente displicentes porém profundamente sábios. Adoro!
Adoro ouvir aquelas palavrinhas francesas, parecem palavras mágicas, nominhos de perlimpimpim. Adoro!
E a frescura?, ui, sobretudo muita frescura! Adoro!
Mal termina o programa, e enquanto ainda está fresco, salto para a cozinha, atiro-me à galinha de arroba que a minha mãe me mandou de Fafe e faço a boa e ancestral arrozada de cabidela. A cabidela monumental e histórica. E vai para a mesa no panelão, fumegante como uma velha locomotiva a vapor. Ah!, então é que eu me regalo...

A ver navios 100

                                                                                                                                     Foto Hernâni Von Doellinger

Curtas & grossas 9

Comida, carros e gajas
- Eh pá, vocês só falam de comida!... - estão sempre a acusar-nos, a nós, aos do Norte. E sem razão. Na verdade, nós, os do Norte, somos tão capazes de manter conversas interessantes e profundas sobre gajas e carros como o resto dos portugueses.

Com os copos não há meias medidas
Há duas posições fundamentais nos copos: o copo cheio e o copo vazio. Ao copo cheio dá-se-lhe um beijinho e o copo vazio deve ser absolutamente escorropichado. O resto é conversa...

A ordem dos factores nem sempre é arbitrária
- O meu problema foi deitar as canas e apanhar os foguetes - explicava o maneta.

De profundis
O emprego é precário. A morte é certa. 

A antiguidade é um posto. Um posto médico.
- Eu sou do tempo do Joselito, e isto quer dizer muito.
- Hã?...
- Ok. Pensando melhor, isto não quer dizer nada. (ouvir)

A propósito da palavra porcausa
A palavra porcausa escreve-se da mesma forma que as palavras porexemplo e poracaso. As três obedecem ao mesmo princípio - o da ignorância.  

Lugares-comuns 375

                                                                                                                 Foto Hernâni Von Doellinger

Salvador de Mendonça

Há no espaço infinito do Universo,
Além da Via Láctea, uns pequeninos
Vestígios de matéria e notas de hinos
Com que da Criação se plasma o verso.


Forjam-se, ali, dos seres os destinos,
E o Supremo Fator em luz imerso
Marca a derrota aos astros e o diverso
Curso a tantos milhões de peregrinos.


Passam os sóis e levam no seu bando
Novos corpos no vácuo flutuando,
Vergéis de Paraíso, antros de Inferno.


Saltam da forja as chispas coruscantes.
Homens, estrelas, monstros ululantes,
No infindo desdobrar do plano eterno.


Salvador de Mendonça

(Salvador de Mendonça nasceu no dia 21 de Julho de 1841. Morreu em 1913.)

Lugares-(in)comuns 187

                                                                                                              Foto Hernâni Von Doellinger