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segunda-feira, 9 de abril de 2012

O último terço do terreno propriamente dito

                                                                                     Foto Hernâni Von Doellinger

Ou o primeiro terço do terreno - segundo alguns autores. A comunidade científica ainda não chegou a um consenso. Eu defendo, e creio que o provo aqui sem deixar margens para dúvidas, que o terço do terreno dá para os dois lados, como certas e determinadas pessoas. Advirto, no entanto, que esta é uma opinião meramente pessoal, que não vincula o Tarrenego!, ainda sem posição oficial sobre o assunto. É o meu modesto contributo para um debate que não deve ficar entre linhas.

domingo, 16 de outubro de 2011

Doente da treta

Sou eu. Como doente, sou uma nódoa, um ignorante, uma vergonha para a classe dos doentes. Devia ser expulso.
Vejam bem isto: no outro dia fui à farmácia aviar uma receita com os medicamentos do costume, remédios de manutenção que tomo há anos, e pergunta-me o farmacêutico:
- O Xpghtywçtor, como é que é a embalagem?
- Desculpe lá, mas esse é para quê? - atrapalhei-me eu, sem saber de que é que o homem estava a falar. Na verdade, era a primeira vez que me faziam perguntas destas na farmácia.
O profissional sorriu, cheio de paciência e esferográficas no bolso da bata branca, disse-me para que era o medicamento e, na posse dessa preciosa informação, eu já lhe pude explicar que era uma caixa assim e coisa e tal.
- E o Gvmkzxqumnarc? É em frasco ou...- voltou o farmacêutico à carga, e eu outra vez à nora.
- E esse é para... - pedi novamente ajuda, corado de vergonha, no meio de um estabelecimento à cunha de especialistas.
O farmacêutico parou de sorrir. E desatou a rir. Mas lá me esclareceu, e eu lá lhe respondi que sim, era em frasco.
Percebem o que eu quero dizer? Como doente, sou de uma incompetência a toda a prova. Sou uma anedota. Como é que eu posso entrar naquelas interessantes conversas de sala de espera de consultório médico, conversas de doentes como deve ser, doentes encartados, e discutir e confrontar com os meus pares colesteróis, internamentos e bicos-de-papagaio, cardiologistas, bruxas e medicamentos, se nem sei o nome dos remédios que tomo? Não posso! Não estou capacitado.