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quinta-feira, 7 de julho de 2016

É de homem, mas não é geral (extra)

Fuja, mãe, que o pai vem bêbado
O miúdo enfiou a cabeça na porta do tasco e gritou:
- Ó pai, a mãe manda dizer prò pai vir pra casa!...
- Vai tu...
- Ó pai, a mãe mandar dizer que o comer está pronto!...
- Então vai, antes que arrefeça...
- Ó pai, a mãe manda dizer que, se o pai não vier já, mete-lhe a comida no balde do lixo!...
- E faz muito bem...
- Ó pai, a mãe...
- Moço!... Diz à tua mãe que eu mando dizer que me estou nos tintos...


O cigano e o sapo
Havia aquele cigano, espírito de contradição, que só entrava em estabelecimentos que tivessem um sapo de louça a servir de porteiro.


Ménage à trois
- Das duas, uma - disse o malandro, cansado de ménages à trois.


Sem desculpa
Errar é próprio do homem. A mulher não tem desculpa!
 

O sexo oral (por não ser escrito) presta-se a alguns mal-entendidos
Ele não gostava de sexo oral, embora nunca tivesse provado. Achava que era só paleio, tipo "fodia-te toda, ó bem boa!", e acção nenhuma. Até que um dia lhe explicaram...

quarta-feira, 6 de julho de 2016

É de homem, mas não é geral 6

Os louros a quem os merece
- Que injustiça - queixou-se o velho pederasta -, os louros deviam ser todos para mim...


Coçando os tomates
Esse gesto tão masculino de coçar o escroto enquanto se conversa com o amigo. Aliás, coçam os dois, cada qual o respectivo, porque são ambos muito homens. E esse outro gesto tão masculino de, acabada a conversa e a coçadela, darem-se uma mãozada forte e bem abanada, machos até mais não, "um destes dias temos que ir jantar". Eu, se me dão licença, proponha um terceiro momento de afirmação varonil nestes (re)encontros entre velhos compinchas: findo o parlapiê, sossegados os tomates e despachado o cumprimento, que cada um cheire a mão do outro, e então, sim, "adeus e até à próxima"... 


A receita
- Passa-me a receita, se faz favor?
- Mas com certeza, ora tome lá.
- Hummm... precisava de mais um bocadinho de cerveja...


Faz-me um colchete
Há quem diga que não há diferença nenhuma entre um broche e um colchete, que são uma e a mesma coisa. Por exemplo, o Dicionário da Língua Portuguesa (7.ª edição) da Porto Editora, que é o que tenho aqui sempre à mão, considera-os, ao broche e ao colchete, sinónimos. Eu, com o devido respeito, discordo. Para mim, tirando o che que ambos ostentam, não há comparação possível entre um broche e um colchete. Um broche é um broche e um colchete até pode ser um parêntese recto. Um é uma coisa e o outro é, às vezes, um empecilho. Só quem não passou por eles é que se confundirá. Sei do que falo. Também sei de salas de costura, não cuidem, mas, vamos lá, admitindo a paridade, se vosselências forem gramáticos como eu e quiserem tirar a questão a limpo, se tiver que ser um ou outro, se pretenderem escrutinar a minha preferência, perguntem-me então sem tibiezas: broche ou colchete? E eu digo logo e sempre: broche. Broche, evidentemente. 


Indignados
- Estou indignado!
- Estás?
- Estou?
- E então?
- Estou indignado... 


O sexo dos anjos
O sexo dos anjos é divinal. Os anjos são uns sortudos. 


Promessas
- Prometes-me uma coisa?
- Prometo.
- Juras?
- Juro.
- Ok, era só para saber.

terça-feira, 5 de julho de 2016

É de homem, mas não é geral 5

O despertar do filósofo
- A vida é uma imensa linha recta cheia de curvas, e cada subida concomita-se numa irrefutável descida, vice-versando - disse o filósofo, ao pequeno-almoço.
- Chega-me o açúcar - disse a mulher do filósofo.


Malha 1
Homem que é homem não joga à malha. Faz.


Malha 2
Homem que é homem não compra camisola de lã. Faz ele mesmo.


O amigo da onça
O defeito dele não era ser amigo da onça. Era amigo da onça, da leoa, da pantera, da gazela, da girafa, da égua, da vaca, da macaca, da galinha, da pata, da avestruz, da gata, da cadela e das ratas em geral. Havia quem o incensasse como paradigma da amizade aos animais. A mulher chamava-lhe galdério, tarado.


Mais vale Sá do que mal acompanhado
- Nome?
- José Sá.
- Só?
- Sá.
- Sei. Mas só?
- Sá.


Uma boa conversa tem muito que se lhe diga
- Oh! meu amor...
- Oh! minha querida...
- Diz-me Baudelaire, meu amor...
- Baudelaire, meu amor, minha querida....
- Oscula-me, meu amor...
- Osculando, minha querida...
- Amplexa-me, meu amor...
- Amplexando, minha querida...
- Afaga-me, meu amor...
- Afagando, minha querida...
- E agora coita-me, meu amor...
- Coitando, minha querida...
- Oh! meu amor, arrebenta-me toda...
- Arrebentando, oh! minha querida, mas era preciso desconversar?...


Epíteme dourado
O sonho dele era ser um epítome. E andar de boca em boca.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

É de homem, mas não é geral 4

Dia da mulher
Um: - Hoje é dia da mulher.
O outro: - E a que horas é que ela vem?


Quando o telefone toca no país dos cagarolas
O telefone toca, a gente atende num susto, e o que é que faz? A gente, quero dizer nós todos, os portugueses de um modo geral. Posto isto - então o que é que a gente faz? A gente agarra-se ao telefone com as duas mãos numa aflição que Deus me livre, e pergunta para o outro lado, aos gritos e falta de ar: - Estou?! Estou??!! Estou???!!! A gente tem medo de não estar. Precisamos de confirmação. Ó insegurança! Ó angústia existencial! Ó compinchas caguinchas! Que é das armas e dos barões assinalados? Que é dos heróis do mar, nobre pobre, nação valente?


Apneia
Homem que é homem não dorme. Ressona.

 
Meia de leite e um pãozinho com manteiga
- Bom dia!
- Faz favor de dizer...
- Bom dia!
- Diga, diga...
- Bom dia!
- Sim, sim, e o que vai ser?...
- Bom dia!
- E era só?...
- Para começar...
- Bom dia?
- Exactamente.
- Então bom dia...
- Muitíssimo obrigadíssimo.
- E que mais?...
- Meia de leite e um pãozinho com manteiga, se faz favor.


O mais importante é a honradez, mas depende
- O mais importante, meu querido filho, é a honradez. Podes ser pobre, mas sempre honesto. Nunca faças nada que te envergonhe quando te vires ao espelho.
- E se for quando não me vir ao espelho, meu amado pai?...
- Nesse caso estás à vontade: mete a mão quanto mais possas, que também és filho de Deus...


A língua portuguesa...
- Temos tomado a nossa medicação? - pergunta-me ela.
- Temos, temos, senhora doutora - respondo eu, que sou uma pessoa educada e um exemplar tomador de medicações.
- Temos feito o nosso exerciciozinho diário?
- Todos os dias, senhora doutora.
- Temos moderado a nossa alimentação?
- Que remédio, senhora doutora. O dinheiro já só dá para cascas de batatas. 
- Ora ainda bem. Vamos lá ver como que é temos a nossa tensão - diz-me ela.
- Vamos a isso, senhora doutora, nem é tarde nem é cedo - digo eu, tirando o casaco e arregaçando a manga da camisa.
Vimos a tensão.
- Temo-la um bocadinho alta - informa-me ela, sem esconder a preocupação.
- Um bocadinho pouco ou um bocadinho muito, senhora doutora? - pergunto eu, também já um bocadinho muito à rasca. 
- Bastante, bastante. Vamos meter este comprimidozinho debaixo da língua e vamos deitar um bocadinho ali - diz-me ela.
- Vamos lá então, senhora doutora. A senhora doutora primeiro, que eu gosto de ficar por cima - digo eu, que, repito, sou uma pessoa educada e exemplar tomador de medicações.

domingo, 3 de julho de 2016

É de homem, mas não é geral 3

Autossuficiência
Homem que é homem não quer nada com mulheres.


A ordem dos factores nem sempre é arbitrária
O pai: - Afinal como é que se chama esse teu namorado secreto? Tem nome, ao menos?
A filha: - Tem. Chama-se Mónica.
O pai: - Mónica?
A filha: - Mónica.
O pai: - Mónica, do género José da Silva Mónica?
A filha: - Não. Mónica, tipo Mónica da Silva José.


Quando se tem classe, tem-se
Podia perder a cabeça, mas nunca a compostura. No limite dos limites, limitava-se a dizer fleumaticamente a quem lhe moesse o juízo: - Meu caro senhor, insto Vossa Excelência a que me faça o subido obséquio de dirigir-se para a ilustre senhora que o concebeu...


Facebook
Perguntaram-me:
- Mas você não está no Facebook?!...
E eu respondi:
- Eu não. Eu sou casado.


Todo o homem deve
Comprar um bonsai, adoptar um cão e escrever num blogue. 


A questão coimbrã
- A menina dança?
- Não, muito obrigado.
- Não tem nada que agradecer.
- Mas eu faço questão.
- Coimbrã?
- Oliveira do Hospital, mais concretamente.

sábado, 2 de julho de 2016

É de homem, mas não é geral 2

Caçador de leões
Homem que é homem não teme leão. Pode é assustar-se com ratos...


Para bom entendedor
- Então já soubeste do gajo...
- Oh!, pá...
- O gajo...
- É sempre o mesmo...
- Diz-me ele...
- Tem a mania...
- Mas eu...
- Fizeste bem...
- Sabes como é que eu sou...
- És...
- Ele ainda começou...
- Mas tu...
- Havias de ter visto...
- Faço ideia...
- Um gajo tem...
- A quem o dizes...
- Gostei de falar contigo.
- Ainda bem que resolveste o assunto.
- Qual assunto?
- O teu assunto com o gajo.
- Qual gajo?
- Oh!, pá... 


Um grande nome
A comissão de festas tinha prometido um grande nome em palco e cumpriu satisfatoriamente. Quando as luzes se acenderam, o artista chamava-se, com efeito, José Manuel-António Ferreira Rocha Vieira da Silva Pereira Gonçalves Ribeiro e Castro Melo Antunes Bastos Monteiro Neves Brochado Macedo Nogueira Santos Oliveira Costa Rodrigues Martins Carvalho Marques Almeida Cunha Pires Lopes de Perestrelo e Lencastre. 


Uma questão de respeito
- Nunca fumei à frente do meu pai.
- Porquê?
- Por uma questão de respeito.
- Mas o teu pai sabe que tu fumas?
- Sempre soube. Há que anos...
- E então?
- É uma questão de respeito.
- E o teu filho sabe que tu fumas?
- Claro que sabe.
- E tu fumas à frente do teu filho?
- Claro que fumo. Desde sempre...
- Porquê?...


No armário
Cá em casa, quem veste a saia sou eu. E a minha mulher perguntou-me:
- O sal refinado onde é que está, no armário ou na despensa?
E eu, da cozinha:
- O refinado? No armário, evidentemente.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

É de homem, mas não é geral

Homem que é homem
Homem que é homem chama Patusco ao gato e Piloto ao cão. Nada de nomes abichanados. E, sim, à mulher pode chamar mor.


A diferença entre um vigarista e um vigarista
Faustino foi ao banco pedir um empréstimo. Quantia avultada. Pretendia construir e montar de raiz uma fábrica de papel canelado, investimento para cima de milhões de euros e emprego garantido para cerca de 23 pessoas, talvez vinte e duas e meia ou vinte e três e meia, ainda não sabia bem. O senhor do banco riu-se: "Fábrica de cartão canelado? Vê-se logo que é golpe, vigarice das antigas". "Golpe, não, caríssimo senhor, e faça o favor de reparar que eu disse caríssimo sem saber sequer a taxa de juro. Em todo o caso, se eu fosse vigarista, e dos antigos, ter-lhe-ia indicado que precisava do dinheiro para abrir um banco", ripostou Faustino, sem se rir, e foi roubar carteiras para outro lado.


Mamas 1
Homem que é homem faz peito. E depois dá de mamar.


Mamas 2
Homem que é homem não chora. Mas mama.


Mamas 3
Homem que é homem gosta de mamas grandes. Mas só há para mulheres e são caríssimas...


Na passadeira (ou... Mamas 4)
Estacou perante a fartura daqueles seios que quase o agrediam. Era mais um palmo em falso e ainda se esparramava naquela fofa imensidão. Quitério, até os olhinhos se lhe riam...
A dona dos seios é que não gostou. E atirou, azeda:
- Olhe lá, ó morcãozola, está a gozar com as minhas mamas?
- De momento ainda não, minha senhora...


Ó mor, mor (ou... Mamas 5)
- Ó mor, mor! Tu mamas, mor?
- Ó mor, claro que tamo, mor.
- Diz-me a verdade, mor. Tu mamas, mor?
- Tamo, mor. Tamo tipo bué, tás a ver, mor?
- Não, mor, tipo a sério, mor, tu mamas-me tipo... a sério, mor?
- Tamo-te, mor. Tamo tipo, mor.
- Mamas mesmo, mor?
- Tipo agora, mor?...