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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Então és tu, minha porca?!...

Meia dose de xenofobia
A chinesinha descia a rua em direcção à praia, e levava o cão pela trela. Achei aquilo tão esquisito! Como se eu levasse a passear um frango de churrasco...

Todos os santos dias, não sei se por promessa, havia um canídeo que, com vossa licença, cagava ao portão da minha sogra. Todos os santos dias. Ficava ali aquele montinho de merda, com vossa licença, às vezes dois ou três montinhos de merda, com vossa licença, ou quatro ou cinco, passeio adiante e organizados em filinha pirilau, porque o alegado canídeo devia ser animal para comer à tripa-forra e evacuava, com vossa licença, geometricamente organizado e por ordem alfabética.
A minha sogra, que me dirigia uma certa osga, cismava que era eu, para lhe fazer desfeita não sei de quê. E não foi fácil convencê-la de que aqueles saralhotos, com vossa licença, eram evidentemente souveniers de canídeo. E eu sou balança.
Uma vez quase apanhei o infractor com as calças na mão: a merda, com vossa licença, ainda a fumegar, mas o canídeo já a descer o fim da rua com a dona pela trela, e, dissesse eu o que dissesse, estaria a falar para a central. Calei-me, portanto.
Portanto, calei-me, mas pus-me à tabela, agarrei-me ao Excel, recolhi e cruzei informações, fiz um horário e aqui atrasado apanhei-os em flagrante. À horinha, nem mais cedo nem mais tarde, como diria o meu querido tio Zé da Bomba, abri de rompante o portão e lá estava a acontecer à minha frente: merda ao vivo, como eu previa e com vossa licença.
Fiz a cara de nojo que trazia ensaiada há mais de um ano, e disse:
- Então és tu, minha porca?!...
- Não é uma cadela, é um cão... - empertigou-se-me a dona, histericamente professoral.
- Mas eu não estava a falar para o canídeo, minha senhora... - disse eu, e fechei outra vez o portão, antes que ela percebesse.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 28 de abril de 2022

A minha sogra, eu, o canídeo e a porca

Todos os santos dias, não sei se por promessa, há um canídeo que, com vossa licença, caga ao portão da minha sogra. Todos os santos dias. Fica ali aquele montinho de merda, com vossa licença, às vezes dois ou três montinhos de merda, com vossa licença, ou quatro ou cinco, passeio adiante e organizados em filinha pirilau, porque o referido canídeo deve ser animal para comer à tripa-forra e evacua, com vossa licença, como verdadeiro cagante andante.
A minha sogra pensava que era eu, para lhe fazer desfeita não sei de quê. E não foi fácil convencê-la de que, com vossa licença, aqueles saralhotos eram evidentemente, com vossa licença, saralhotos de canídeo. E eu sou balança.
Uma vez quase apanhei o infractor com as calças na mão: a merda, com vossa licença, ainda a fumegar, mas o canídeo já a descer o fim da rua com a dona pela trela, e dissesse eu o que dissesse estaria a falar para a central. Calei-me, portanto.
Portanto, calei-me, mas pus-me à tabela, agarrei-me ao Excel, recolhi e cruzei informações, fiz um horário e hoje apanhei-os em flagrante. À horinha, nem mais cedo nem mais tarde, abri de rompante o portão e lá estava a acontecer à minha frente: merda ao vivo, como eu previa e com vossa licença.
Fiz a cara de nojo que trago ensaiada há mais de um ano, e disse:
- Então és tu, minha porca?!...
- Não é uma cadela, é um cão... - empertigou-se-me a dona, histericamente professoral.
- Mas eu não estava a falar para o canídeo, minha senhora...

P.S. - Publicado originalmente no dia 29 de Maio de 2015.