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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O meu primo Abenedego

Mais leve que o ar
Há quem seja magro, mas Hélio realmente abusava. Um dia levantou voo...

Diz que há um australiano que detém o recorde mundial do nome mais comprido do mundo, um nome com mais de duas mil palavras, é preciso um camião para andar com o nome às costas e leva quinze dias a assinar, adeus ó vai-te embora. O nome mais comprido de Portugal é reclamado pelos admiradores do rei D. Manuel II (1889-1932), que se chamava, completamente, Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio, e há quem acrescente, de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha.
Em Itália, um casal foi proibido de dar o nome de Sexta-Feira ao filho, mas na China, aqui atrasado, havia quase seis mil pessoas que se chamam Ano Novo. Em Portugal, país de brandos costumes, parece que ainda ninguém foi tão longe, mas apenas porque não é, ou não era, permitido. No Ministério da Justiça existia mesmo uma lista negra de mais de 2.500 nomes próprios e esquisitos que já tinham sido pedidos e recusados.
E alguns deles nem lembrariam ao diabo, como, vede lá, Jesus Cristo, Deusa, Adoração, Imaculada, Cristão, Cristo ou Maria da Aleluia. Pérolas que constavam na lista de "Vocábulos Não Admitidos como Nomes Próprios" do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) e que estavam lá porque, exactamente, houve pais que tiveram a peregrina ideia de chapá-los da testa dos respectivos filhos. Não sei se ainda existe tal lista, que já estava há alguns anos sem qualquer tipo de actualização.
Os pais italianos queriam ser "originais", disseram aos jornais, mas o tribunal considerou, talvez acertadamente, que Sexta-Feira traria uma carga de "vergonha" e de "ridículo" à criança que fosse marcada para toda a vida com semelhante nome.
Ora, se os portugueses têm muitos defeitos, um deles não será certamente a falta de originalidade. E também aqui, no ramo dos nomes mais ou menos patetas, não ficamos a dever nada a ninguém.
Duvidais? Tomai então nota dos seguintes: Abenedego, Brilhantina, Consolino, Divinando, Estaline, Girina, Ismanuel, Jacquelino, Magnífica, Maxfredo, Ovnis, Paliologo, Romã, Sete, Togarma, Viking ou Zuzidine. Tudo nomes que alguém quis pôr aos filhos, mas que o bom senso da lei proibiu.

A sorte, para nós, fafenses à moda antiga, é que não há, nunca houve, norma para a atribuição de alcunhas, que nisso somos campeões. Ninguém nos bate na arte de crismar o parceiro, às vezes famílias inteiras, com apodos porventura espertos e patuscos, quando não carregados de desprezo e maldade, inveja e vingança, quase sempre explorando acintosamente particularidades físicas ou morais dos indivíduos em questão. Eu, por herança, sou "Perna-de-Pau" e "Bomba", amiúde "Dezassete", e também "Neques", mas pela costela de Basto. E, se quereis saber, tenho muito gosto!

Quando, há uns anos, fiz um pequeno trabalho jornalístico sobre nomes, o IRN esclareceu-me, cheio de a propósito, que o nome próprio das "crianças nascidas em Portugal que sejam portuguesas" deve ser "português, de entre os constantes da onomástica nacional ou adaptados graficamente à língua portuguesa, não devendo suscitar dúvidas quanto ao sexo". Filhos de jogadores de futebol e de artistas da televisão são casos à parte, foi o que então concluí.
Por outro lado, e voltando ao princípio, à questão do tamanho, o IRN informou-me que o nome completa de cada pessoa deve compor-se, no máximo, de seis vocábulos, isto é, até dois nomes próprios e quatro apelidos. Como, por exemplo, Duarte Nuno Fernando Maria Miguel Gabriel Rafael Francisco Xavier Raimundo António de Bragança. Não é?...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje, vede bem, é Dia de Ter Um Nome Diferente.)

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

O roxis e o Sr. António Maneta

Fazendo pela vida
O médico deu-lhe dois anos. Ele pediu seis. O médico contrapôs três e que não podia dar mais. Ele exigiu cinco, senão nada feito. O médico disse quatro e não se fala mais nisso. Ele, negócio fechado.

O roxis, quereis saber o que é? Então cá vai. O roxis é da família do taco, mas muito mais antigo, e é sinónimo de chapa, porque ir fazer um roxis ou ir fazer uma chapa era exactamente a mesma coisa. O Hospital de Fafe, no tempo em que quem lá mandava era a "Mamer", tinha uma máquina de roxis muito velha, numa sala muito escura ao lado da urgência, que era o banco, e da escadaria interior que levava à capela, que era também salão nobre. Por baixo das escadas, porta com porta, num quartinho para anões muito arrumadinho, morava o Toninho, ou seja, o Sr. António do Hospital, a quem também chamavam Maneta, Sr. António Maneta ou Toninho Maneta, isto dito com mais burrice do que malícia, e que era, para além de telefonista e porteiro, fumador obstinado e habilidoso, havíeis de o ter visto a manusear a caixa de fósforos, e um dos maiores apaixonantes da Banda de Revelhe, honra lhe seja. Apesar da sua estratégica localização, ali entre a vida e a morte, e mesmo em frente ao Toninho, o aparelho de roxis tinha dia certo e horário de expediente para funcionar. A sua operacionalidade dependia, se não estou em erro, da indispensável presença ou pelo menos orientação do Dr. Mota Prego, que tinha um nome assim de categoria e vinha de propósito de Guimarães para tratar destes assuntos.
Quer-se dizer, o Dr. Mota Prego era o nosso especialista em roxis, e uma vez ele e o Dr. Antero, creio, trataram-me muito bem de uma clavícula partida que era a minha vaidade na escola primária e hoje em dia ainda me dói. E o Sr. António carregava no erre quando me chamava Herrenâni...

(Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe)

domingo, 25 de junho de 2023

O homem mais procurado

Estão a ver o Florindo Cabeças, também conhecido como Lindinho da Mamã, Flox Bigfoot, Becas Língua-e-Dedo, Garanhão da Pasteleira, Rochedo das Fontainhas, Campeão da Ponta-e-Mola, Príncipe dos Faquires, Guardião dos Piças-Moles, Estoura-Vergas da Foz, Comandante-em-Chefe do Cerco, Perseguidor de Lampiões, Fângio da Circunvalação, aliás Colosso de Rodas, Furacão do Twist, Doutor Corrente-de-Ar, Duque do Palmanço, TGV de Campanhã, Stradivarius da Rotunda, Sete-de-Paus da Ribeira, Cabeçudo Machoman ou Fló Ajeitadinho, também chamado Vânia Toleirona e, às vezes, Selma Sabrina? Não? Não estão a ver? É o que eu digo: hoje em dia ninguém sabe quem ele é. Nem eu.

P.S. - Passada a ressaca do São João, logo no dia 25 de Junho de 1996, o Comité de Peritos da UNESCO atribuiu ao centro histórico do Porto a categoria de património mundial.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

O homem mais procurado

Estão a ver o Florindo Cabeças, também conhecido como Lindinho da Mamã, Flox Bigfoot, Becas Língua-e-Dedo, Garanhão da Pasteleira, Rochedo das Fontainhas, Campeão da Ponta-e-Mola, Príncipe dos Faquires, Guardião dos Piças-Moles, Estoura-Vergas da Foz, Comandante-em-Chefe do Cerco, Perseguidor de Lampiões, Fângio da Circunvalação, aliás Colosso de Rodas, Furacão do Twist, Doutor Corrente-de-Ar, Duque do Palmanço, TGV de Campanhã, Stradivarius da Rotunda, Sete-de-Paus da Ribeira, Cabeçudo Machoman ou Fló Ajeitadinho, também chamado Vânia Toleirona e, às vezes, Selma Sabrina? Não? Não estão a ver? É o que eu digo: hoje em dia ninguém sabe quem ele é. Nem eu.