Hipocondríaco e metódico
Era um autarca hipocondríaco e metódico. Seguindo indicação médica, tomava quatro medidas por dia - uma ao levantar, uma depois de almoço, uma antes de jantar e uma ao deitar. Rigorosamente.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Sejamos pacientes, pois
terça-feira, 7 de abril de 2026
O mal do doente foi ter passado a paciente
Como um alho era o famoso indivíduo, não sei quem nem de que sexo ou género, mas político certamente, que inventou a palavra "paciente" para substituir a palavra "doente". O finório, ou a finória, ou finórie, vá lá, sabia tudo sobre listas e tempos de espera, greves epidémicas ou cirúrgicas, operações adiadas, consultas anuladas, funerais e missas de sétimo dia, demissões de directores e outras pandemias. Porque a verdade é esta: o doente, regra geral, queixa-se, esperneia, mas o paciente, por definição, aguenta.
P.S. - Hoje é Dia Mundial da Saúde.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Noventa mil quilómetros quadrados
Noventa mil quilómetros quadrados
de ousadia e sofrimento:
A oriente, a Espanha,
A norte, a terra galega.
A sul e ocidente, a dor tamanha
Do mar que já não chega,
Mas onde ainda ficaram,
Talhadas em rocha dura,
As ilhas que semearam
as pegadas da aventura.
"Recolha Poética (1954-2017)", António Arnaut
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
O roxis e o Sr. António Maneta
Fazendo pela vida
O médico deu-lhe dois anos. Ele pediu seis. O médico contrapôs três e que não podia dar mais. Ele exigiu cinco, senão nada feito. O médico disse quatro e não se fala mais nisso. Ele, negócio fechado.
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
O Quinzinho da Farmácia
O grande problema do engolidor de espadas era a azia. Aliás, mudou de ofício, por indicação médica.
E sabeis que mais? Gosto de pensar que foi a partir do nosso Quinzinho que os ingleses inventaram, muitos anos mais tarde, em 1994, o Protocolo de Manchester. E essa é que é essa.
domingo, 15 de setembro de 2024
Eu só queria ir à farmácia
No centro de saúde fui atendido em menos de uma hora. Perguntaram-me "então o que é que o traz por cá" e eu expliquei "aconteceu-me isto assim assim, fui à farmácia, na farmácia mandaram-me ao médico, e eu vim". "Ora mostre lá o olho", e eu mostrei, "vai ter de ir imediatamente ao oftalmologista, mas, como no Hospital Pedro Hispano não temos urgência da especialidade, pegue lá esta carta e vá ao Hospital de Santo António", e eu fui. A pé até à Avenida Serpa Pinto, apanhei o autocarro 500 até ao Castelo do Queijo, esperei uma hora pelo autocarro 200 e, quando o trânsito me deixou, lá cheguei ao Santo António, no centro ensarilhado da cidade do Porto.
Na urgência fui atendido em menos de um quarto de hora. Perguntaram-me "então o que é que o traz por cá" e eu expliquei "aconteceu-me isto assim assim, fui à farmácia, na farmácia mandaram-me ao médico, o médico mandou-me aqui, e eu vim". "Ora mostre lá o olho, encoste aí o queixo e olhe para esta luzinha", e eu mostrei, encostei e olhei. "Tome lá esta receita, são umas gotas para colocar de duas em duas horas, vá já à farmácia", e eu fui. Estava de volta à casa de partida, passava pouco das 21h45.
Quatro horas e meia de razoável diversão e salutar convívio. E tudo isto pelos módicos cinco euros da taxa que ainda se pagava no centro de saúde, mais as viagens e os quase catorze euros das gotas, que afinal nem precisavam de receita médica, e que estou a pensar meter como despesas de representação. Vou-me queixar de quê?
Gosto de destoar. Sei que tenho o melhor serviço nacional de saúde do mundo. Raramente lhe dava uso, mas frequento-o agora assiduamente e vivo de olhos abertos. Será da idade? E querem saber o que é o nosso Serviço Nacional de Saúde? São as pessoas: os auxiliares, os médicos e os enfermeiros, que todos os dias trabalham no arame e sem rede, que já lhes tiraram há muito, e fazem funcionar uma coisa que na verdade já nem existe, ou, se quisermos ser bondosos, vai morrendo aos bocadinhos. A minha urgência ocular pareceu-me uma desnecessidade, mas as pessoas quiseram fazer bem - são profissionais. E excelentes! Estou-lhes grato e amiúde digo-lhes isso. E faço figas para que me tratem sempre assim mas palminhas, prevenindo em vez de acudir ao que já não tenha remédio. Em todo o caso, palavra de honra, daquela vez eu só queria ir à farmácia.
P.S. - Hoje é Dia do Serviço Nacional de Saúde.
quarta-feira, 21 de setembro de 2022
Eu gosto muito do SNS
sábado, 25 de junho de 2022
Eu gosto muito do SNS
Era só isto que eu tinha para dizer. Gosto muito do nosso Serviço Nacional de Saúde. Para mim, o Serviço Nacional de Saúde é as pessoas. As pessoas do Serviço Nacional de Saúde. As pessoas que cuidam de nós. De mim. Com ou sem pandemias. Muitíssimo obrigadíssimo!
terça-feira, 6 de abril de 2021
O povo cheira mal. Quer-se dizer: cheira a povo.
Figurão, o governante que gabava muito o Serviço Nacional de Saúde e, mal lhe ocorria uma singela caganeira, desembestava em oficial aflição para o hospital privado. Figurinha, a autarca redundante em mui propagandeadas e frequentadas sessões de caracacá para o bem-estar físico dos seus munícipes, mas que, para si própria - mantendo uma higiénica distância do suor do povo -, não dispensa a exclusividade e chiqueza ostensiva do personal trainer.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Paulo Macedo: o homem, o ministro e a pasta
(Parte do texto Uma boa e má notícia, que escrevi e publiquei no dia 6 de Agosto de 2012, a propósito das conclusões de um animador estudo sobre os nossos hospitais. E confirma-se: Macedo é um homem certo, mas na pasta errada.)
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Uma boa e má notícia
A má notícia é que o Governo ainda tem muito por onde estragar.
Falei uma vez com Paulo Macedo, actual ministro da Saúde, em curiosas circunstâncias que um dia poderei contar. Percebi-o um homem sério e íntegro, uma boa pessoa, no melhor que a estafada expressão pode ainda conter. Deram-lhe um ministério e uma missão. Uma missão que ele cumpre com o rigor e a competência que lhe são justa e sobejamente reconhecidos. Enganaram-se foi no ministério.