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sábado, 2 de dezembro de 2017

Venceslau de Queirós 2

Beata Beatrix

Dizem que és casta, és santa, és pura...
E, na verdade, quem te veja
O rosto... os olhos... a figura
Que lembra as santas de uma igreja,

Por Deus! Negar não pode, jura
Que és pura, és santa, és casta, e beija,
Com untuosa compostura,
Tua mão branca e benfazeja...

Mas que o Senhor me fira em cheio
O coração se, em longo anseio
Da mais brutal paixão espúria,

Teu corpo em meus braços de ferro
Não palpitou ouvindo o berro
Do bode negro da Luxúria!

Venceslau de Queirós

(Venceslau de Queirós nasceu no dia 2 de Dezembro de 1865. Morreu em 1921.)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Venceslau de Queirós

Nostalgia do Céu 

Ei-lo que sonha, triste e só... Que estranho augúrio
A alma te agita, Arcanjo Negro? Que magia, 
Que sortilégio, à dura abóbada sombria, 
No Orco, te prende o chamejante olhar sulfúreo? 

Que encantamento cabalístico assedia
Tua cabeça? Em que palácio, em que tugúrio,  
À evocação de Grande Mago, no perjúrio  
Presa ficou tua infernal figura esguia? 

Nada de mais... Lembra Satã a imensa Queda
No boqueirão da Eterna Sombra que lhe veda,  
Eternamente, eternamente, ver os céus... 

Punge-o a saudade, a nostalgia, a funda mágoa
De estar (Satã já tem os olhos rasos de água!)  
Longe da Luz, longe do Azul, longe de Deus!

"Rezas do Diabo", Venceslau de Queirós

(Venceslau de Queirós nasceu no dia 2 de Dezembro de 1865. Morreu em 1921.)