Mostrar mensagens com a etiqueta Valentim Magalhães. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Valentim Magalhães. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Valentim Magalhães 4

Juramento

Oh! poeta, por que te deixaste encantar,
Se deviam roubar-te essa gentil criança,
E se o seu coração, cheio de confiança,
Não podia por ti viver a palpitar?


Que importa! Germinou à luz do seu olhar
Na minh’alma tristonha e que a existência cansa
O amor, que nos remoça e enche de esperança;
Por isso eu devo sempre a bendizer e amar.


Feliz ou infeliz, ser-lhe-ei fiel ainda!
Amarei minha dor, pois dela será vinda,
Dela por quem do seio os males arranquei.


Virgem, de cujo olhar cativam-me os encantos,
Se me fazes chorar, eu abençoo os prantos,
Se me deres a morte, - a morte abençoarei.

"Rimário", Valentim Magalhães

(Valentim Magalhães nasceu no dia 16 de Janeiro de 1859. Morreu em 1903.)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Valentim Magalhães 3

Tortura

Ante a mesquita de áureos minaretes
Açoitam dois telingas a traidora;
As vergastas, sutis como floretes,
Sibilam sobre a carne tentadora.


À vibração das varas, estremecem
Seus níveos membros firmes, delicados,
E, nos espasmos do sofrer, parecem
Das contorções do gozo eletrizados.


Geme aos golpes, que as carnes lhe retalham,
E aberta a rósea boca, os olhos belos
Pérolas vertem, que seu peito orvalham;


Dobram-se as curvas, soltam-se os cabelos,
E do alvo colo, amargurado e exangue,
- Como esparsos rubis - goteja o sangue
.

"Rimário", Valentim Magalhães

(Valentim Magalhães nasceu no dia 16 de Janeiro de 1859. Morreu em 1903.)

sábado, 16 de janeiro de 2016

Valentim Magalhães 2

A Ideia Nova

Abisma o teu olhar no azul do firmamento;
Devassa o velho Olimpo e o velho céu cristão:
À serena altivez do seu deslumbramento
A indagadora vista elevarás em vão!


Está deserto o céu! No grande isolamento
Palpita, ensanguentado, o sol - um coração.
Mas os deuses de Homero, o Jeová sangrento,
Alá e Jesus Cristo, os deuses onde estão?


Morreram. Era tempo. Agora encara a terra:
Ressoa alegre a forja e sai da escola um hino.
O Gênio enterra o Mal em uma negra cova.


Deus habita a consciência. O coração descerra
Aos ósculos do Bem o cálix purpurino.
Vem perto a Liberdade. É isto a Ideia Nova.


"Rimário", Valentim Magalhães

(Valentim Magalhães nasceu no dia 16 de Janeiro de 1859. Morreu em 1903.)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Valentim Magalhães

Íntimo

Esta alegria loura, corajosa,
Que é como um grande escudo, de ouro feito,
E faz que à Vida a escada pedregosa
Eu suba sem pavor, calmo e direito,

Me vem da tua boca perfumosa,
Arqueada, como um céu, sobre o meu peito:
Constelando-o de beijos cor de rosa,
Ungindo-o de um sorriso satisfeito...

A imaculada pomba da Ventura
Espreita-nos, o verde olhar abrindo,
Aninhada em teu cesto de costura;

Trina um canário na gaiola, inquieto;
A cambraia sutil feres, sorrindo,
E eu, sorrindo, desenho este soneto.


Valentim Magalhães

(Valentim Magalhães nasceu no dia 16 de Janeiro de 1859. Morreu em 1903.)