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sábado, 25 de julho de 2020

Ternura, de Vinicius de Moraes

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.


Vinicius de Moraes

(Hoje, 25 de Julho, o Brasil celebra o Dia Nacional do Escritor, chamado também Dia do Escritor Brasileiro)

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Antonio Noriega Varela 2

Ternura
 
Viste os cardos de flores, viste de hedra
as informes paredes dos muíños,
e nos cruceiros de groseira pedra,
suspirando, pendura faroliños...
 
¡Sempre á par da rudeza, esta xoíña
que Jesús nos deixou!: sorrindo, a medo,
fai relucir un astro en cada espiña,
i agasalla con musgo ermo penedo.
 
¡Alma da nosa Terra!, ¡irmá da aurora!,
tu brindas (de bo grado, i en boa hora
pra que hastra as nubes meu fervor te eleve)
 
á onda montuosa, ¡airón de escumas!,
ó tosco berce de guiciños, ¡plumas!,
á hostil ramaxe dos acivros, ¡neve!

"Do Ermo", Antonio Noriega Varela

(Antonio Noriega Varela nasceu no dia 19 de Outubro de 1869. Morreu em 1947.)