Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
Vinicius de Moraes
(Hoje, 25 de Julho, o Brasil celebra o Dia Nacional do Escritor, chamado também Dia do Escritor Brasileiro)
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sábado, 25 de julho de 2020
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Antonio Noriega Varela 2
Ternura
Viste os cardos de flores, viste de hedra
as informes paredes dos muíños,
e nos cruceiros de groseira pedra,
suspirando, pendura faroliños...
¡Sempre á par da rudeza, esta xoíña
que Jesús nos deixou!: sorrindo, a medo,
fai relucir un astro en cada espiña,
i agasalla con musgo ermo penedo.
¡Alma da nosa Terra!, ¡irmá da aurora!,
tu brindas (de bo grado, i en boa hora
pra que hastra as nubes meu fervor te eleve)
á onda montuosa, ¡airón de escumas!,
ó tosco berce de guiciños, ¡plumas!,
á hostil ramaxe dos acivros, ¡neve!
"Do Ermo", Antonio Noriega Varela
(Antonio Noriega Varela nasceu no dia 19 de Outubro de 1869. Morreu em 1947.)
Viste os cardos de flores, viste de hedra
as informes paredes dos muíños,
e nos cruceiros de groseira pedra,
suspirando, pendura faroliños...
¡Sempre á par da rudeza, esta xoíña
que Jesús nos deixou!: sorrindo, a medo,
fai relucir un astro en cada espiña,
i agasalla con musgo ermo penedo.
¡Alma da nosa Terra!, ¡irmá da aurora!,
tu brindas (de bo grado, i en boa hora
pra que hastra as nubes meu fervor te eleve)
á onda montuosa, ¡airón de escumas!,
ó tosco berce de guiciños, ¡plumas!,
á hostil ramaxe dos acivros, ¡neve!
"Do Ermo", Antonio Noriega Varela
(Antonio Noriega Varela nasceu no dia 19 de Outubro de 1869. Morreu em 1947.)
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