Mostrar mensagens com a etiqueta Sousa Caldas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sousa Caldas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Sousa Caldas 2

Soneto

Oito anos apenas eu contava
Quando à fúria do mar, abandonando
A vida, em frágil lenho e demandando
Novos climas, da pátria me ausentava.


Desde então à tristeza começava
O tenro peito a ir acostumando;
E mais tirana sorte adivinhando,
Em lágrimas o pai e a mãe deixava.


Entre ferros, pobreza, enfermidade,
Eu vejo, ó céus! que dor! que iníqua sorte!
O começo da mais risonha idade.


A velhice cruel, (ó dura morte!)
Que faz tremer tão triste mocidade,
Para poupar-me descarrega o corte.


Sousa Caldas

(Sousa Caldas nasceu no dia 24 de Novembro de 1762. Morreu em 1814.)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sousa Caldas

Na presença de uma grande trovoada

Tremei, humanos: toda a natureza.
Do seu Deus ao aceno convocada,
Sobre negros trovões surge sentada,
Em cruel fúria contra nós acesa.


Do rosto seu escondem a beleza,
Medonha escuridade acompanhada
De abrasadores raios, e pesada
Saraiva que no ar estava presa.


Agora perde a cor de medo cheio,
O monarca feliz e poderoso,
Que o vil orgulho abriga no seu seio.


Tu descoras também, ateu vaidoso,
E menos cego sem achar esteio,
A mão, que negas, beijas duvidoso.


Sousa Caldas

(Sousa Caldas nasceu no dia 24 de Novembro de 1762. Morreu em 1814.)