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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

João de Barros 2

Soneto de amor

Tantos passaram pelo teu caminhos
Antes que fosse a hora de eu passar,
Que tenho a dor de me não ver sozinho
Na memória fiel do teu olhar.

Nenhum te disse frases de carinho,
nenhum parou, talvez, para te amar...
E vão perdidos no redemoinho
Da vida e nunca mais hão-de voltar.

Para ti, nenhum foi o mesmo que eu...
- Mas porque a tua vista os abrangeu
Mesmo sem alegria, amor ou fé,

Deles alguma coisa em ti existe
- Alguma coisa que me deixa triste
Porque não posso adivinhar o que é!...


João de Barros

(João de Barros nasceu no dia 4 de Fevereiro de 1881. Morreu em 1960.)

terça-feira, 17 de setembro de 2013

José Régio

Soneto de amor
  
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce.


José Régio

(José Maria dos Reis Pereira, conhecido como José Régio, nasceu no dia 17 de Setembro de 1901. Morreu em 1969.)