Soneto de amor
Tantos passaram pelo teu caminhos
Antes que fosse a hora de eu passar,
Que tenho a dor de me não ver sozinho
Na memória fiel do teu olhar.
Nenhum te disse frases de carinho,
nenhum parou, talvez, para te amar...
E vão perdidos no redemoinho
Da vida e nunca mais hão-de voltar.
Para ti, nenhum foi o mesmo que eu...
- Mas porque a tua vista os abrangeu
Mesmo sem alegria, amor ou fé,
Deles alguma coisa em ti existe
- Alguma coisa que me deixa triste
Porque não posso adivinhar o que é!...
João de Barros
(João de Barros nasceu no dia 4 de Fevereiro de 1881. Morreu em 1960.)
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de setembro de 2013
José Régio
Soneto de amor
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce.
José Régio
(José Maria dos Reis Pereira, conhecido como José Régio, nasceu no dia 17 de Setembro de 1901. Morreu em 1969.)
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce.
José Régio
(José Maria dos Reis Pereira, conhecido como José Régio, nasceu no dia 17 de Setembro de 1901. Morreu em 1969.)
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